O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) apreendeu no final da semana, em Foz do Iguaçu, duas toneladas de peixes contrabandeados de Ayolas, na fronteira do Paraguai com a Argentina, a cerca de 400 quilômetros da Ponte da Amizade (Foz-Ciudad del Este). A operação teve a participação das polícias Florestal e Militar. Os pescadores, cujos nomes não foram revelados, terão de pagar multas entre R$ 200,00 e R$ 600,00.
O contrabando era trazido por pescadores paranaenses que são impedidos de fazer grandes capturas em rios brasileiros durante o período da piracema (reprodução de peixes). Iniciada em outubro, a proibição para a pesca vai até 28 de fevereiro nos rios de responsabilidade do IAP. Nos rios de domínio do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a piracema irá até 31 de janeiro.
Ayolas é atualmente o maior reduto de pescadores brasileiros. Segundo o engenheiro florestal do IAP, Paulo Roberto Caçola, a pesca de todas as espécies e tamanhos vem sendo facilitada na região fronteiriça, pela ausência da fiscalização paraguaia e argentina.
Desta maneira, o IAP aplica aos pescadores a legislação brasileira, quando eles atravessam a Ponte da Amizade. ‘‘Nossas leis são mais rígidas, mesmo quando os peixes são fisgados a longas distâncias. O rio Paraná tem águas internacionais e nele a reprodução precisa ser preservada’’, explicou. Os carregamentos apreendidos entre o feriado de sexta-feira e domingo foram doados ontem a instituições de caridade de Foz.
No mês passado, o pesquisador paraguaio Manuel Ventre, alertou que ‘‘medidas mínimas para a captura’’ são insuficientes para preservar espécies ameaçadas. ‘‘Melhor seria, disse ele, proibir e fiscalizar a pesca em períodos de reprodução’’. Ele sugeriu que a regulamentação seja um instrumento prático e reivindicou recursos para sua efetivação.

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