Vânia Moreira
De Umuarama
Os fiscais do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) em Umuarama estão apreendendo todos os animais silvestres em cativeiro na cidade. Em menos de uma semana, já foram apreendidos quase 100 animais, a maioria pássaros de pequeno porte.
O chefe do escritório regional, João Toninato, disse que está recebendo diariamente denúncias sobre animais em cativeiro. ‘‘As denúncias começaram depois que apreendemos alguns pássaros na Feira do Produtor’’, explicou. Segundo Toninato, as pessoas que tiverem animais em cativeiro e entregarem espontaneamente ao IAP ficarão livres de punição.
Até ano o passado, os donos de animais silvestres em cativeiro podiam requerer junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) o registro do animal. Agora, o prazo para registro acabou e quem não obteve a autorização terá de se desfazer dos bichos. A lei prevê multas de R$ 500,00 a R$ 5 mil e penas de prisão de um a seis meses para quem mantiver animais em cativeiro sem o registro junto ao Ibama.
Até agora, ninguém foi autuado. O IAP e o Ministério Público pretendem analisar cada caso. ‘‘Aquelas pessoas que tinham o animal apenas como hobby poderão até não ser punidas. Só vamos agir com mais rigor nos casos em que os animais seriam comercializados’’, disse Toninato. Entre os pássaros apreendidos estão muitos sabiás, coleirinhas, azulões, curiós e outros, todos espécies ameaçadas de extinção. Também foram apreendidas até agora duas pacas e um sagui. Os animais que tiverem condições de sobreviver fora do cativeiro serão soltos em florestas da região. Os que não podem ser soltos, serão encaminhados para minizoológicos particulares.
Em Cianorte (87 km a nordeste de Umuarama), a polícia prendeu sábado à noite o caçador José Rufino dos Santos, 40 anos. Santos abatia animais silvestres e comercializava a carne em São Paulo. Ele foi preso na rodoviária quando tentava tomar um ônibus para São Paulo. Com ele, a polícia apreendeu 17 tatus, uma paca, uma cotia, um quati abatidos e limpos e alguns quilos de carne de capivara. Os animais estavam em caixas térmicas.
Segundo o delegado de Cianorte, Nelson Tavares, Santos contou que ele mesmo caçava, limpava e guardava os animais em refrigeradores. Quando tinha uma quantidade razoável de carne, ia para São Paulo vender. Ele disse que se hospedava em hotéis e procurava fregueses. Os tatus eram comercializados a R$ 30,00 cada e os demais, a R$ 80,00. A polícia vai incinerar a carne apreendida, avaliada em R$ 600,00. Morador em São Tomé (103 km a nordeste de Umuarama), Santos pagou fiança e foi liberado ontem.

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