O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) emitiu R$ 15,8 milhões em multas contra 49 empresas do Sudoeste e Centro-Oeste do Estado. Durante fiscalização realizada na semana passada os fiscais encontraram várias irregularidades ambientais na região. O balanço da operação foi fechado na última terça-feira. Foram fiscalizadas aproximadamente 100 empresas. As notificações foram por desmatamento ilegal e outras infrações ambientais. As multas foram aplicadas ao Movimento dos Sem-Terra (MST), Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra), madeireiras, transportadores e beneficiadores de madeira.
A operação tinha como objetivo localizar madeiras exploradas clandestinamente em áreas de assentamento e invasão. Segundo o chefe regional do IAP de Guarapuava, Celso Alves de Araújo, ‘‘esperávamos encontrar irregularidades, mas a quantidade que encontramos surpreendeu bastante’’.
Técnicos de Paranavaí, Toledo, Foz do Iguaçu, Campo Mourão, Guarapuava, Irati e Pato Branco foram convocados pelo IAP para integrarem uma equipe que vistoriou 20 municípios do Paraná. Nesta blitz, seis áreas apresentaram irregularidades. Uma (invasão) em Mangueirinha, duas (uma invasão e um assentamento) em Inácio Martins e três em Palmas. Nesta última, foi verificado o corte raso de 700 hectares de floresta e 7 mil hectares de desmatamento de madeiras nobres, como araucária e imbuia. Em Inácio Martins o estrago foi maior. Pelo menos 4 mil hectares, de uma área de 5,5 mil hectares, foram explorados.
Araújo explica que as madeiras encontradas com as madeireiras e consumidores de lenha, de forma irregular, já foram apreendidas. Segundo ele, aquelas encontradas nas áreas invadidas ou assentadas foram embargadas. Além desses procedimentos, o IAP estará encaminhando um relatório completo sobre o caso ao Ministério Público de cada comarca com problema e à Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente para investigação e abertura de processo criminal.
A possibilidade de haver relação entre as irregularidades das madeireiras com as das áreas fiscalizadas pelo instituto é muito grande. ‘‘Porém, pelo fato de se tratar de explorações clandestinas, fica difícil comprovar o possível envolvimento’’, declara Araújo.
Paulo Kirschner, diretor-superintendente da Madeirit, teoricamente prejudicada com o desmatamento clandestino de suas terras em Inácio Martins, não acredita que as madeireiras da região estejam envolvidas.
Segundo o presidente da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), Clóvis Borges, casos como esses merecem uma avaliação judicial mais rigorosa dos órgãos competentes.

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