Após denúncia recebida pela Promotoria de Defesa do Meio Ambiente, técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e fiscais da Força Verde realizaram uma vistoria na Central de Tratamento de Resíduos (CTR) e constataram o vazamento de chorume. O líquido é gerado durante a decomposição de resíduos orgânicos descartados no lixo comum. Quando não recebe tratamento adequado, o material tóxico polui o meio ambiente.
Fiscais do IAP coletaram amostras de água do Ribeirão dos Apertados para verificar o dano ambiental causado. O ribeirão fica próximo à CTR e deságua no Rio Tibagi, que é utilizado para abastecer parte da população de Londrina. De acordo com a promotora de Defesa do Meio Ambiente, Solange Vicentin, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) foi notificada pelo vazamento de chorume. A multa deve ser aplicada pelo IAP nos próximos dias. O valor pode variar entre R$ 500 e R$ 50 milhões, dependendo do dano ambiental causado.
"Isso não pode ocorrer em hipótese alguma. Verificamos que parte do chorume estava sendo lançada irregularmente dentro das instalações da CTR e alcançando o corpo hídrico lá dentro. Vamos aguardar a análise do IAP, mas acredito que não vai ter problema em relação ao abastecimento de Londrina", afirmou a promotora. Após o recebimento da multa, a CMTU terá prazo de 20 dias para apresentar defesa e especificar as estratégias de contenção do vazamento.
A Central de Tratamento de Resíduos possui cinco lagoas de chorume no total. No entanto, não há estrutura adequada para o tratamento do líquido poluente. O processo foi terceirizado e, desde 2014, está sob a responsabilidade da Empresa Maringaense de Tratamento de Efluentes Ltda. Todos os dias, os funcionários coletam, aproximadamente, 85 metros cúbicos de chorume e encaminham para a sede em Maringá. Conforme o segundo aditivo ao contrato, o valor atual pago por metro cúbico transportado é de R$ 75,39. "O município está gastando demais com isso. Fizeram uma licitação para tratar o chorume fora da CTR, não houve consulta para nenhum órgão ambiental, não houve uma discussão prévia... A CMTU tomou essa decisão e isso eu coloquei para o prefeito que é uma decisão bastante estranha. Ninguém proíbe ninguém de fazer o tratamento na CTR e inclusive por métodos que tenham muito mais eficácia do que esse de retirar o chorume todos os dias", avaliou a promotora.
O diretor de Operações da CMTU, Mauro Andrade, informou que, após a constatação do vazamento, funcionários da companhia fizeram uma barreira de contenção do chorume e entraram em contato com a empresa terceirizada para intensificar o recolhimento do material. Segundo Andrade, a coleta deve passar de 80 a 90 metros cúbicos de chorume por dia para 300 metros cúbicos. "Não foi necessário fazer um novo aditivo ao contrato porque há um volume fixo para a retirada de materiais", explicou o diretor. O volume total pode ser coletado antes de maio do ano que vem, quando vence o contrato entre a empresa terceirizada e a companhia.
Um dos motivos para o vazamento do líquido poluente, segundo Andrade, seria o excesso de chuva registrado em novembro. "Não quero isentar a CMTU de responsabilidade, mas o problema [o excesso de chuva] saiu do nosso planejamento. A questão não é só o chorume das lagoas, que é visual. O problema é o chorume que fica dentro do maciço, dentro da massa de lixo depositada nas células. Esse volume é de difícil quantificação e mensuração", ressaltou.
Andrade disse ainda que há dificuldades para realizar o tratamento do resíduo na própria CTR. "Nós não temos um corpo hídrico receptor necessário para receber essa água residuária que teria que ser despejada. Ali nós não podemos fazer isso porque é uma área de captação de água", defendeu o diretor de operações. Segundo a assessoria de imprensa do IAP, os representantes do instituto só devem se manifestar após os resultados dos exames e a coleta de dados que vão embasar o cálculo dos prejuízos e o valor da autuação.

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