IAP alerta para risco de desequilíbrio em rio
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de janeiro de 1997
Edmara Michetti 
Arquivo FolhaPereira: espécies exóticas
O transbordamento dos tanques de vários pesque-pague na região, devido à enchente dos últimos dias, pode causar um desequílibrio na bacia do rio Tibagi. A possibilidade está preocupando o chefe regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Nélson Santos Pereira. A preocupação dele é com a introdução de espécies exóticas (não naturais) que podem prejudicar a população natural de peixes.
Sem um cadastro dos peixes disponíveis nos pesque-pague, Pereira cita algumas espécies que podem fazer parte dos que rodaram para o rio Tibagi como o matrinchã (bacia Amazônica), bagre africano (natural da África), black bass (América do Norte). Ele afirma que esses peixes são todos vorazes e sem inimigos na bacia do Tibagi. O bagre africano, por exemplo, respira embaixo e fora da água, passando de uma lagoa para outra em busca de alimento e não vai encontrar inimigos, afirma. Entre os peixes listados por Pereira, ele destaca também o black bass. Esse peixe é extremamente esportivo (ataca isca artificial). Eles são muito vorazes, diz. O risco é o desaparecimento de espécies, com o tempo.
O professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), especializado em peixes de água doce do Brasil, Oscar Akio Shibata, diz que é provável algum prejuízo. Mas ele afirma que o desequílibrio só pode ocorrer se as espécies exóticas se estabelecerem no rio. Ele explica que, nesse caso, as espécies diferentes podem trazer doenças, predar filhotes de peixes nativos e, assim, causar um desequilíbrio populacional. Mas não posso assegurar que isso venha a acontecer. Por enquanto é só uma suposição, ressalta.
O problema, segundo o professor, é que depois que o peixe se estabelece em um rio não tem como tirá-lo. Shibata cita o exemplo da curvina. Eles comem de tudo, encontram condições ecológicas perfeitas para permanecerem e começam a reduzir a diversidade ecológica. O ideal, na opinião de Shibata, seria que o acidente nos pesque-pague não tivesse ocorrido. A hipótese do acidente deveria ter sido levantada na época da instalação dos pesque-pague para que os tanques fossem projetados de forma a evitar transbordamento.


