O Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) completa 80 anos no início do ano que vem e, para comemorar a data, vai realizar uma série de atividades em todo País. O núcleo de Londrina optou por um ciclo de palestras, que começou no dia 27 de novembro e se estenderá durante 2001.
Os encontros acontecerão duas vezes por mês e servirão para debater questões relativas à habitação, zoneamento urbano e participação da arquitetura no desenvolvimento cultural. O projeto ‘Rasgos de Memória’, que consiste na documentação de depoimentos de engenheiros e arquitetos pioneiros de Londrina, também foi incluído no programa de palestras.
O primeiro a relatar suas memórias foi o engenheiro civil José Augusto de Queiroz, convidado especial do IAB na noite de anteontem. Foi ele quem fez o projeto estrutural da Concha Acústica, barragem do Lago Igapó I, Frigorífico Frigozé, companhias de café solúvel Iguaçu (Cornélio Procópio) e Cacique, ampliação do estádio Vitorino Gonçalves Dias (VGD) e criação do Estádio do Café. ‘‘Refletir sobre o passado é sempre útil, até mesmo para aqueles que fizeram parte dele’’, comentou.
Formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) em 1955, Queiroz iniciou sua carreira na Prefeitura de Londrina numa época em que não havia arquitetos na cidade. Segundo ele, naquele tempo não se imaginava que a cidade se transformaria no pólo que é hoje.
‘‘A Concha Acústica foi criada para eventos culturais e lazer. Ali se apresentaram nomes importantes da Música Popular Brasileira como Nelson Gonçalves e as cantoras do rádio. Com a instalação do Cine Ouro Verde ela foi integrada ao ‘footing’ da juventude, mas perdeu sua tranquilidade com a construção do Centro Comercial’’, relembra o engenheiro.
Apesar da voracidade com que as construções avançaram em direção ao Lago Igapó, ele acredita que a consciência ecológica está aumentando. Como exemplo, ele cita a equiparação de valor do metro quadrado às margens do lago com áreas próximas ao Shopping Center Catuaí e Universidade Estadual de Londrina (UEL). ‘‘Finalmente, as pessoas estão entendendo que a qualidade de vida depende de espaço e com isso estão se afastando dos centros urbanos.’’
Em março de 2001, Queiroz se aposenta como professor de mecânica de estruturas na UEL e revela que os universitários de hoje são muito diferentes daqueles de 27 anos atrás. Para ele, a democracia e a liberdade de expressão são benéficas, mas facilitam o comodismo dos jovens.
Sua esperança é que no futuro essa geração defenda a revitalização do centro de Londrina como arquivo do patrimônio histórico. ‘‘O Centro Comercial não é um exemplo de habitação saudável, mas é um marco da verticalização na cidade.’’
O calendário de aniversário do IAB ainda não foi concluído. De acordo com o presidente do núcleo de Londrina, Humberto Yamaki, ele será divulgado em janeiro durante a reunião do Conselho Superior. Em nível local, a instituição realiza uma mesa-redonda na próxima semana, sem data e local definido.
As palestras são abertas à comunidade. Os sócios estão isentos de ingresso e os não-sócios pagam de R$ 2,00 a R$ 5,00. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone: (43) 324-8983.

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