HZS comemora 15 anos e humaniza serviços
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quinta-feira, 31 de março de 2005
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
O ambiente tenso e o clima de urgência, comuns em qualquer lugar onde se luta contra doenças, têm hoje um componente a mais no Hospital Doutor Eulalino de Andrade, mais conhecido como Zona Sul (HZS): a satisfação de comemorar 15 anos. Funcionários, pacientes e a comunidade preparam uma festa, logo mais à noite, para marcar a data. Entre as conquistas, eles enumeram a ampliação de 900 para 1564 metros quadrados e a capacidade para atender 5200 pessoas por mês, realizando cerca de 200 cirurgias no mesmo período.
Nem todas as conquistas podem ser mensuradas em números. Um bom exemplo é o programa de humanização, desenvolvido desde 2002 e envolvendo os 200 funcionários da instituição. Na ponta desse processo, os pacientes são os maiores beneficiados. O trabalho já se tornou modelo para outros hospitais.
Notícia comum, quando o assunto é saúde pública, o HZS também convive com o problema da superlotação. Do lado de fora da instituição, quem procura atendimento não volta para trás sem solução. Na porta de entrada, o programa de humanização faz a diferença.
Do lado de dentro, histórias como a da dona de casa Angela Cristina Peixoto Coelho, 29 anos, mãe de três filhos, ajudam a entender melhor a importância do programa. ''Estive internada aqui para retirar uma pedra da vesícula. Encontrei um hospital limpo, bem cuidado. É difícil ver um hospital igual'', afirma. Ela não sabe, mas o programa de humanização é responsável pela compra de enxoval completo para os quartos. A lavagem das roupas e o serviço de limpeza foram terceirizados, diminuindo as reclamações sobre trocas insuficientes.
O programa ainda colocou todos os funcionários na sala de treinamento para lições sobre o Plano de Gerenciamento dos Resíduos de Saúde, determinado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O resultado está espalhado pelo hospital, com os latões de coleta seletiva de lixo hospitalar.
O tratamento mais humano não é só para os pacientes. A solidariedade começa no próprio hospital. Celina Aparecida Saraiva, 51 anos, é auxiliar de serviços gerais. Ela é um dos 17 funcionários que se formaram no primeiro e segundo graus, com a ajuda de um reforço escolar oferecido por colegas de trabalho, dentro do programa de humanização. ''Foi muito bom. No começo, eu estava um pouco desanimada. Agora, acho falta porque as aulas terminaram'', aponta a funcionária. No HZS os funcionários são dispensados uma hora antes dos plantões para participar das aulas de reforço. ''Os resultados foram surpreendentes. A maioria do pessoal tinha receio de escrever um comunicado, por exemplo. Hoje têm interesse em fazer até outros cursos'', ressalta a coordenadora do projeto de reforço escolar, Maura Aparecida Silveira. Incentivados a aprender, os funcionários já estão indo além das aulas: montaram uma biblioteca dentro do hospital para atender a todos que não têm condições de comprar livros.
Além de participar das aulas de reforço escolar e informática como Celina, Maria de Lourdes Moraes, 44 anos, tem em comum com a colega de trabalho o fato de morar na região, a exemplo de 50% dos funcionários, o que faz com que tenham envolvimento com hospital semelhante ao da comunidade.
A gerente de enfermagem Juranda Maia de Miranda dá mais uma dica de como o programa pode melhorar a vida de todos: ''Temos treinamentos de relacionamento interpessoal abertos a todos os profissionais, com um grupo montado com uma psicóloga voluntária. O objetivo é melhorar a relação entre profissionais e a clientela''.


