O empresário Hissan Hussein Dehaini foi preso na madrugada de ontem, em Curitiba, pela segunda vez em sete meses. Considerado um dos principais articuladores da conexão internacional do tráfico de drogas na Região Sul do País, ele foi reconhecido e acusado pelo traficante José Maria Menezes Montalvão, 33 anos, preso no ano passado em Maringá. Segundo ele, a venda de cocaína teria rendido a Hissan até 300 mil dólares em um curto período de tempo. O decreto de prisão é para 30 dias.
Hissan saiu algemado da Assembléia Legislativa depois de 13 horas de sessão da CPI Estadual do Narcotráfico. O mandato de prisão expedido pelo juiz titular da 2º Vara do Tribunal do Júri, João Kopytowski. Junto com o empresário foi detido Anderson Luiz Cabrini, o ‘‘Gigião’’, reconhecido como seu principal auxiliar. Os advogados de Hissan tentariam, ontem, obter um habeas-corpus para seu cliente, que negou todas as acusações. A CPI vai tentar a prorrogação da prisão para mais de um mês.
Em março, durante a passagem da CPI Nacional do Narcotráfico pelo Paraná, Hissan ficou detido 60 dias na Delegacia Regional da Polícia Federal, em Curitiba, suspeito de manter ligações com policiais civis acusados de tráfico de drogas. No momento em que foi preso, Hissan disse que tudo aquilo era um absurdo da Justiça, e que as pessoas que lhe acusaram nem faziam parte de seu círculo de amizade.
Montalvão, que é ex-sargento do Exército, disse que conhecia Hussein no tráfico como ‘‘Saddam, o financista’’. ‘‘São pessoas que não colocam a mão em nada, apenas coordenam a compra, venda e transporte da droga’’, disse, confessando ter transportado somente em quatro viagens, 355 quilos de cocaína para o empresário, que é proprietário de helicópteros e pequenos aviões.
Para o sucesso das operações estariam sendo utilizadas pistas clandestinas do interior do Mato Grosso do Sul e do Paraná. ‘‘Nessas viagens geralmente parávamos nas cidades de Loanda, Campo Largo e Paranaguᒒ, afirmou Montalvão. A droga vinha da Colômbia e Bolívia e era levada até o Porto de Paranaguá para depois ser enviada para a Espanha e o Líbano, terra natal da família de Hissan. Essa rota ficou conhecida como ‘‘Conexão Libanesa’’ e era supervisionada pelo acusado.
Além de Montalvão, também foram ouvidos os traficantes Luiz Carlos Borges, José Luiz de Melo e João Carlos Coimbra, detidos na Prisão Provisória do Ahú, em Curitiba. Eles foram presos após serem detidos pela Polícia Federal no mês passado com 15 quilos de cocaína. Outro que também prestou depoimento ontem foi Marcelo Ferrari, piloto de avião, que reconheceu Hissan como um dos financiadores do transporte de cocaína. Em sua versão, diante de Hissan, o piloto alegou ter recebido até 35 mil dólares por cada viagem.