Humanização garante o sucesso
O consultório do pediatra Joubert Marcondes, instalado no Centro de Saúde de Ibiporã, é bem mais simples do que as ambições do projeto Vigia Bebê. Uma mesa, um armário, uma cama de atendimento, nenhum computador: é ali que o médico ajuda a garantir a vida de dezenas de crianças.
''É estrutura de Saúde Pública. Nosso principal recurso aqui é humano'', assinala. A empolgação e o carinho do pediatra com os pacientes é visível, e reflete na resposta das famílias atendidas. ''Outro dia encontrei os pais de um bebê em uma feira e eles fizeram questão de vir mostrar como ele estava forte, gordinho'', emociona-se. Para cumprir o preceito de dar um atendimento mais humano aos pacientes, o pediatra estende a duração de cada consulta para cerca de meia hora. O tempo de atendimento está além das quatro consultas por hora recomendadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
O envolvimento dos pais no tratamento é um dos fatores mais reforçados pelo médico. ''Nós privilegiamos a acolhida da mãe, que vem com um grau de angústia, apreensão com a saúde do filho. Aqui ela tem um espaço para falar, para descobrir que é capaz de ser mãe e ser feliz'', aponta. Segundo Marcondes, a adolescente cujo filho, muitas vezes, não é assumido pelo pai, costuma ir à consulta acompanhada da mãe, que a desautoriza a falar sobre a criança.
Era o caso de Graciele Coutinho de Souza, 17 anos. Nas primeiras consultas de Pedrinho, o filho de 5 meses, a presença da avó era constante. ''O pai não quis nem saber, e minha mãe disse que ajudaria a criar. No começo ela vinha comigo, porque eu ficava insegura. Acho que ainda não sei ser mãe. Mas devagarinho estou pegando o jeito'', acredita. A criança não nasceu com problemas, mas foi incluída no projeto por ser filha de mãe adolescente.
Além da humanização do tratamento, a inclusão de vários profissionais é uma das chaves do projeto. A equipe é formada por enfermeira, auxiliar de enfermagem, fonoaudiológa, fisioterapeuta, pediatra, odontologista e assistente social. Com o atendimento multiprofissional, o projeto tenta prevenir problemas comuns a recém-nascidos de risco, como doenças respiratórias, diarréia e problemas de pele.





