Ontem, Dia Internacional de Ação pela Saúde da Mulher, a rede pública de saúde de Londrina teve ao menos um bom motivo para comemorar. A Maternidade Municipal alcançou no ano passado índice zero de mortalidade materna. A redução é uma conquista já que apesar dos avanços dos últimos anos, o Brasil ainda amarga o 69º lugar no ranking de mortalidade materna. Em Londrina, segundo dados da 17 Regional de Saúde, houve uma redução do índice de 57,05 óbitos por 100 mil nascidos vivos em 2002 maior que a média nacional do ano para 35,3.
O diretor geral da maternidade, Rodrigo Rosseto Avanso, ressalta que nunca houve uma morte registrada na maternidade já que os casos mais graves acabam sendo transferidos para hospitais de maior complexidade, que arcam com o ônus do registro. ''Contudo, no ano passado nenhuma das pacientes que passou pela maternidade entrou em óbito'', afirma. Cerca de quatro mil partos foram realizados em 2003.
Boa parte dos resultados pode ser creditada a um programa recente de humanização, uma tendência cada vez mais discutida mas ainda ainda pouco comum na rede pública. ''Investimos na melhoria do atendimento ao paciente e no parto humanizado e trabalhamos em conjunto com toda a autarquia'', comenta.
As mudanças aplicadas na maternidade começam antes mesmo do parto, com visitas das gestantes nas instalações do hospital, que investiu também em alternativas de relaxamento. ''Temos banhos mornos, bolas para fisioterapia e implantamos a analgesia'', comenta, referindo-se à técnica do parto normal indolor. Na maternidade, a lei federal que dá direito aos familiares participarem do parto junto com a parturiente é cumprida.
Para a mestre do Departamento de Enfermagem da Universidade de Maringá (UEM) e especialista em parto humanizado, Sueli Castilho, iniciativas como a Londrina são raras. ''Já é lei que o pai tem direito de participar do parto, mas poucos hospitais cumprem a medida'', afirma.
Sueli acabou de voltar do Japão, onde participou como pesquisadora de uma série de visitas em casas de parto, uma prática bastante comum na Europa e, no Brasil, restrita a pouco mais de seis estados. Nesses locais, o parto é acompanhado por familiares em uma ambiente agradável e com a supervisão de uma enfermeira obstetra. ''O parto é um acontecimento social, é o início de uma família, por isso tem que ter a participação dos familiares. No Japão fiquei surpresa com a participação de crianças pequenas, de até três anos, no parto das mães'', conta.
Defensora da prática, ela combate o que classifica como cultura nacional da cesareana. ''Na Europa ninguém pergunta para uma mulher se ela vai fazer parto normal ou cesareana, isso não existe; no Brasil, as mulheres precisam desenvolver a consciência das possibilidades antes de ir direto para a cirurgia'', argumenta.

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