Obrigatório por lei a partir do ano que vem, o ensino de espanhol ainda engatinha nas escolas brasileiras. Só 15% dos alunos do ensino médio estudam em estabelecimentos que ofertam o idioma. Com 11%, a média é pior na rede pública, mas a situação da particular está longe da ideal, com 51%, conforme dados do censo da educação básica do ano passado, elaborado pelo Ministério da Educação. Para o aluno, o espanhol é optativo, desde que haja outra língua obrigatória, mas o ensino também pode ocorrer em centros de idioma.
Mas a língua espanhola não é a única matéria do atual currículo que tornou-se obrigatória por lei. Educação musical já faz parte do ensino fundamental, bem como filosofia e sociologia do ensino médio. De primeira a quarta séries, o único professor em sala insere a música na rotina dos alunos, conforme o andamento da classe. Tudo muda de quinta à oitava séries e no ensino médio, quando as matérias ganham professor específico.
Laura Célia Sant'Ana Cabral Cava, assessora pedagógica de artes de Londrina, lembra que as aulas de artes tornaram-se obrigatórias no ensino fundamental em 1996 e a musicalização foi introduzida em sala de aula há dois anos. Para ela, são vários os benefícios que a música, dança e artes plásticas trazem às crianças: ''Percepção das cores e texturas, entendimento do próprio corpo, sensibilidade em relação ao meio ambiente, reflexão sobre o papel no mundo.''
Ela ressalta que as artes despertam curiosidade, garantindo o envolvimento do aluno com a disciplina, especialmente quando os temas discutidos são relacionados com a realidade. Segundo ela, apesar de obrigatória, a musicalização ainda faz parte da disciplina de educação artística e não requer um professor específico.
Segundo Maria Isabel Felix, coordenadora da equipe de ensino do Núcleo Regional de Educação, o ensino obrigatório de filosofia e sociologia deve ser implantado em definitivo até 2011, mas já é ofertado a alguns colégios. Já as aulas de espanhol ainda não estão sendo ofertadas pelas escolas londrinenses, que disponibilizam centros de língua estrangeira, em caráter extracurricular.
''Estamos aguardando ainda a orientação do Conselho Estadual de Educação, pois é uma discussão mais política, no sentido do país conhecer uma língua latino-americana. Mas uma nova matéria é sempre bem-vinda'', avalia Maria Isabel, para quem a introdução de novas disciplinas não sobrecarrega os alunos, que estão acostumados a uma média de 28 horas de aula semanais.

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