O eletricista Júlio Chiavelli Filho, 35 anos, está responsabilizando o Hospital Universitário de Maringá (HUM) pela morte da mulher dele, Rose Maria Ribeiro, 32 anos. Ela estava no sétimo mês e meio de gestação e foi internada devido ao rompimento da bolsa. No sábado, os médicos do HUM constataram morte do feto e no domingo, quando fizeram a cesária para retirá-lo, Rose Maria não resistiu. Ela morreu na sala de cirurgia após sofrer duas paradas cardíacas.
Para Chiavelli, os médicos que prestaram atendimento à mulher dele foram negligentes. ‘‘Tinha que ter tido pressa no atendimento para não acontecer o que aconteceu’’, disse. Segundo ele, Rose Maria foi internada na terça-feira à noite, por volta das 20 horas, com fortes dores. Nos três dias após o internamento, Chiavelli afirmou que visitou Rose Maria e que ela estava aparentemente bem. ‘‘Os médicos também diziam que ela estava bem’’. Ele não soube informar os nomes dos médicos, mas disse que sempre conversava com uma pessoa diferente. ‘‘Lembro que eu conversei com um japonês, mas não lembro o nome dele’’.
Os médicos teriam detectado a morte do feto no sábado e informado Chiavelli no mesmo dia. ‘‘Eles me garantiram que não ia acontecer nada com a minha mulher. Me explicaram que o feto estava morto e que estavam dando remédios para ela’’, disse Chiavelli. No domingo de manhã, conforme o eletrecista, Rose Maria teria reclamado de fortes dores na barriga. ‘‘Perguntei ao médico porque ela sentia tantas dores e ele me disse que era normal’’.
A cirurgia para retirada do feto, conforme Chiavelli, só foi feita no domingo, por volta das 15h30. ‘‘Já que a criança tinha morrido, eles deveriam pelo menos salvar a minha mulher’’. Segundo ele, Rose Maria fez todas as consultas pré-natal no posto de saúde do Conjunto Pinheiros. Ela deixou três filhos, com 11, 8 e 7 anos.
De acordo com o superintendente do HUM, Vicente Massagi Kira, a comissão de ética do hospital já foi comunicada e está montando uma outra comissão que irá apurar a denúncia. Kira não soube informar o nome do médico que teria prestado atendimento à Rose Maria. ‘‘São muitos médicos e vários plantões ao dia que não dá para saber quem prestou o atendimento porque ainda não recebi o relatório, mas a comissão de investigação vai apurar tudo isso’’, disse.
Indagado se o procedimento médico adotado foi correto ao não realizar a cesária no dia da internação já que a bolsa da paciente havia rompido, Kira explicou que não é obstetra e que não poderia avaliar a conduta do médico que prestou o primeiro atendimento. ‘‘Já se sabia que era um bebê prematuro e talvez por isso o médico tenha optado em esperar mais um pouco para retirar a criança’’.
Conforme Kira, os médicos que prestaram atendimento à Rose Maria monitoraram o bebê e só no sábado detectaram a morte do feto. Ele disse que, provavelmente, a morte do bebê tenha sido provocada por infecção contraída com o rompimento da bolsa. ‘‘Quando há o rompimento da bolsa antecipado e a paciente continua internada, geralmente ocorre a infecção’’, justificou.
No domingo, após a retirada do feto morto, os médicos constataram que Rose Maria estava com septicemia (infecção generalizada). Os médicos, conforme Kira, provavelmente tentaram retirar os órgãos contaminados e ela teria sofrido parada cardíaca na mesa de cirurgia.
‘‘Não sei o que houve, mas acredito que o estado de saúde da paciente era grave por causa da infecção e ela não resistiu, falecendo durante o ato cirúrgico’’, disse Kira. Segundo ele, se for necessário, a comissão deverá pedir o exame de necrópsia do corpo de Rose Maria. ‘‘Se houve algum responsável pela morte da paciente, será punido’’, afirmou Kira.

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