Colégio Estadual Hugo Simas recebe, hoje à noite, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), o título de instituição benemérita pelas atividades desenvolvidas em 72 anos de história. Fundado em 1937, o colégio funciona no mesmo prédio (na Área Central), que teve a última reforma concluída em 2001. Segundo o diretor geral, Fernando Munhoz Néri, são cerca de 1,8 mil estudantes, ocupando 19 salas de aulas de aula, em três períodos.
Néri ressalta o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do colégio, que está entre os dez melhores do Paraná. Ele cita ainda que no ano passado, o Hugo Simas ficou em terceiro lugar no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e teve 80 alunos aprovados no vestibular.
Berço para a criação do Museu Histórico de Londrina e da própria UEL, quando as instalações do Hugo Simas abrigaram os cursos de Filosofia, Direito, Odontologia e Medicina da universidade, a escola mais antiga da cidade também teve importante papel na promoção da inclusão de alunos especiais no ensino regular.
Professora do ''velho Hugo'' por seis anos, Margaret Baccaro foi uma das docentes convidadas a instalar a educação especial no colégio, no início da década de 1990. ''Na época havia uma sala especial improvisada e com o apoio da diretora, que nos deu liberdade para trabalhar, reformamos o espaço com a ajuda dos pais'', rememora Margaret, que precisou aprender a linguagem de sinais para ensinar os deficientes auditivos.
''Não tinha professor de libras na cidade na época, então contamos com a ajuda de uma voluntária, que era surda'', conta Margaret. Segundo ela, houve tanta interação com os estudantes especiais, que os demais alunos da escola se interessaram em aprender libras para se comunicar.
Margaret lecionava para uma turma de dez alunos com deficiência auditiva, mas o colégio mantinha outras seis turmas especiais. Hoje, já são 80 alunos especiais, atendidos por uma equipe de dez professores, o que faz do Hugo Simas o segundo colégio do Paraná a atender alunos com deficiência auditiva, visual e surdo-cegueira.
A homenagem partiu do reitor da UEL, Wilmar Marçal, ex-aluno do ''velho Hugo''. ''Homenageando o colégio, reconhecemos um templo educacional que marcou época, formou gerações de profissionais e que representa o início da nossa região como pólo de ensino e de geração de tecnologia'', resume Marçal, lembrando que o Hugo Simas foi a primeira escola pública do município.


‘Fazia joguinhos para ensinar Matemática’
 Fo­ram 40 ­anos de­di­ca­dos ao Ma­gis­té­rio, qua­se 30 atuan­do no Co­lé­gio Hu­go Si­mas: es­ta é a his­tó­ria da pro­fes­so­ra Con­sue­lo de Luig­gi Oli­vei­ra, que se apo­sen­tou no ano pas­sa­do, aos 69 ­anos. Pau­lis­ta­na de nas­ci­men­to, ela se mu­dou pa­ra Lon­dri­na em 1964. For­ma­da em Mú­si­ca e His­tó­ria, ela tra­ba­lhou em ou­tras ­duas es­co­las até ser trans­fe­ri­da ao ‘‘ve­lho ­Hugo’’, em 1969.
  ‘‘Quan­do fui apre­sen­ta­da à di­re­to­ra, ela me dis­se: ‘Se ­vira’. Co­mo sem­pre gos­tei de li­ber­da­de pa­ra tra­ba­lhar, al­fa­be­ti­za­va ­meus alu­ni­nhos co­mo acha­va ­melhor’’, con­ta Con­sue­lo, que foi pro­fes­so­ra pri­má­ria por 13 ­anos. Com o mé­to­do inu­si­ta­do de pre­miar os alu­nos pe­lo bom tra­ba­lho, ela cos­tu­ma­va guar­dar par­te do sa­lá­rio pa­ra com­prar me­da­lhas. ‘‘Fa­zia jo­gui­nhos pa­ra en­si­nar ­Matemática’’, lem­bra. ‘‘Tra­ba­lhar no Hu­go Si­mas me deu a opor­tu­ni­da­de co­nhe­cer a al­ma da crian­ça, me en­si­nou a ser ­mais par­ti­ci­pa­ti­va e so­li­dá­ria.’’ Se­gun­do ela, o tem­po mu­dou tu­do. ‘‘Tra­ba­lha­va com 25 alu­nos, ho­je, as sa­las es­tão lo­ta­das, com 45 alu­nos, e é di­fí­cil aten­der a ­todos’’, com­pa­ra. ‘‘Ho­je, pro­fes­sor é pai, mãe, ba­bá, psi­có­lo­go. Pa­ra mim, os ­pais pre­ci­sam es­tar com os fi­lhos em to­dos os mo­men­tos. Crian­ça pre­ci­sa ­disso’’, en­si­na Con­sue­lo, mãe de ­três ex-alu­nos do ‘‘ve­lho ­Hugo’’, uma de­las pro­fes­so­ra co­mo ela. (M.G.)

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