Hugo Simas recebe homenagem da UEL
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quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Colégio Estadual Hugo Simas recebe, hoje à noite, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), o título de instituição benemérita pelas atividades desenvolvidas em 72 anos de história. Fundado em 1937, o colégio funciona no mesmo prédio (na Área Central), que teve a última reforma concluída em 2001. Segundo o diretor geral, Fernando Munhoz Néri, são cerca de 1,8 mil estudantes, ocupando 19 salas de aulas de aula, em três períodos.
Néri ressalta o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do colégio, que está entre os dez melhores do Paraná. Ele cita ainda que no ano passado, o Hugo Simas ficou em terceiro lugar no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e teve 80 alunos aprovados no vestibular.
Berço para a criação do Museu Histórico de Londrina e da própria UEL, quando as instalações do Hugo Simas abrigaram os cursos de Filosofia, Direito, Odontologia e Medicina da universidade, a escola mais antiga da cidade também teve importante papel na promoção da inclusão de alunos especiais no ensino regular.
Professora do ''velho Hugo'' por seis anos, Margaret Baccaro foi uma das docentes convidadas a instalar a educação especial no colégio, no início da década de 1990. ''Na época havia uma sala especial improvisada e com o apoio da diretora, que nos deu liberdade para trabalhar, reformamos o espaço com a ajuda dos pais'', rememora Margaret, que precisou aprender a linguagem de sinais para ensinar os deficientes auditivos.
''Não tinha professor de libras na cidade na época, então contamos com a ajuda de uma voluntária, que era surda'', conta Margaret. Segundo ela, houve tanta interação com os estudantes especiais, que os demais alunos da escola se interessaram em aprender libras para se comunicar.
Margaret lecionava para uma turma de dez alunos com deficiência auditiva, mas o colégio mantinha outras seis turmas especiais. Hoje, já são 80 alunos especiais, atendidos por uma equipe de dez professores, o que faz do Hugo Simas o segundo colégio do Paraná a atender alunos com deficiência auditiva, visual e surdo-cegueira.
A homenagem partiu do reitor da UEL, Wilmar Marçal, ex-aluno do ''velho Hugo''. ''Homenageando o colégio, reconhecemos um templo educacional que marcou época, formou gerações de profissionais e que representa o início da nossa região como pólo de ensino e de geração de tecnologia'', resume Marçal, lembrando que o Hugo Simas foi a primeira escola pública do município.
Fazia joguinhos para ensinar Matemática
Foram 40 anos dedicados ao Magistério, quase 30 atuando no Colégio Hugo Simas: esta é a história da professora Consuelo de Luiggi Oliveira, que se aposentou no ano passado, aos 69 anos. Paulistana de nascimento, ela se mudou para Londrina em 1964. Formada em Música e História, ela trabalhou em outras duas escolas até ser transferida ao velho Hugo, em 1969.
Quando fui apresentada à diretora, ela me disse: Se vira. Como sempre gostei de liberdade para trabalhar, alfabetizava meus aluninhos como achava melhor, conta Consuelo, que foi professora primária por 13 anos. Com o método inusitado de premiar os alunos pelo bom trabalho, ela costumava guardar parte do salário para comprar medalhas. Fazia joguinhos para ensinar Matemática, lembra. Trabalhar no Hugo Simas me deu a oportunidade conhecer a alma da criança, me ensinou a ser mais participativa e solidária. Segundo ela, o tempo mudou tudo. Trabalhava com 25 alunos, hoje, as salas estão lotadas, com 45 alunos, e é difícil atender a todos, compara. Hoje, professor é pai, mãe, babá, psicólogo. Para mim, os pais precisam estar com os filhos em todos os momentos. Criança precisa disso, ensina Consuelo, mãe de três ex-alunos do velho Hugo, uma delas professora como ela. (M.G.)


