Érika Pelegrino
De Londrina
Um projeto envolvendo pacientes com Aids do Hospital Universitário (HU) de Londrina irá inserir a homeopatia no tratamento de soropositivos. O protocolo, segundo o coordenador do projeto, o microbiologista Alair Alfredo Berbert, já está sendo submetido a apreciação da Comissão Nacional de Bioética em Brasília. Até o próximo mês a pesquisa deve ser iniciada.
Berbert faz parte de uma equipe formada por oito médicos de Curitiba, Londrina, Belo Horizonte (MG) e Campinas (SP) que há dois anos vêm utilizando o complexo homeopático Canova no tratamento de pacientes de Aids. O medicamento traz em seus princípios ativos plantas medicinais associadas ao Arsenicum album e Lachesis (quadro ao lado).
No início das pesquisas, há dois anos, a equipe realizou experiência com 300 pacientes, a qual mostrou a eficiência do método associado ao tratamento tradicional com medicamentos anti-retrovirais (os coquetéis). Berbert conta que a maioria dos pacientes teve a carga viral zerada, em alguns casos, em apenas 120 dias.
Embora ainda não seja possível falar em cura da Aids, Berbert afirma que o vírus não voltou a se manifestar em nenhum dos pacientes envolvidos na experiência piloto e que teve a carga viral zerada. Ele explica que o grupo continua em observação e sendo medicado com o Canova. ‘‘O complexo deve ser tomado por dois anos ou em alguns casos durante a vida toda’’, explica.
Composto basicamente por plantas, o Canova não é tóxico e não apresenta efeitos colaterais se diferenciando dos coquetéis. Muitos pacientes acabam sendo obrigados a parar de tomar os medicamentos anti-retrovirais, justamente, devido aos efeitos colaterais.
O seu custo também apresenta vantagens sobre os coquetéis. ‘‘O complexo Canova custa, nos primeiros três a quatro meses, de R$ 500,00 a R$ 600,00 por paciente/mês. A manutenção custa em média R$ 60,00 por mês. O custo mensal do tratamento com coquetéis é cinco a seis vezes mais caro’’, afirma o microbiologista.
O Canova é um complexo homeopático que começou a ser utilizado na Argentina há 30 anos como medicamento veterinário aplicado em diferentes tipos infecciosos. Na sequência passou a ser utilizado no tratamento de câncer em humanos. Há três anos foi trazido para Curitiba o Laboratório Canova do Brasil. Neste período, segundo Berbet, foram realizadas várias pesquisas na Universidade de La Plata, na Argentina. Alguns destes trabalhos foram repetidos no Brasil até descobrir-se que ele atuava no sistema imunológico e então a idéia de utilizá-lo em pacientes com Aids.
Berbert explica que o Canova é usado para diminuir a carga viral e aumentar o número de Lifócitos CD4. ‘‘É o mesmo efeito dos coquetéis’’. Uma das grandes vantagens deste complexo, segundo o médico, é a melhora na qualidade de vida dos pacientes que se vêem livres de incômodos como diarréias, tonturas, cansaço, fadiga. No tratamento do câncer, mesmo nos casos em que o tumor persiste, há melhora na qualidade de vida com redução dos sintomas da doença.
O microbiologista ressalta que enquanto as pesquisas não são concluídas os pacientes são aconselhados a utilizar o Canova associado às drogas anti-retrovirais.

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