HU vai desativar 50 leitos
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terça-feira, 17 de agosto de 2004
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
O superintendente do Hospital Universitário (HU) de Londrina, Francisco Eugênio Alves de Souza, enviou correspondência ontem às secretarias municipal e estadual de Saúde comunicando a desativação de 50 leitos por falta de pessoal. No comunicado, Souza argumenta que a medida será tomada por ''não dispor em seu quadro de pessoal de equipe suficiente para a manutenção das atividades de prestação de serviços de assistência à sa©úde''.
Conforme o ofício serão desativados 11 leitos da unidade de tisiologia, 12 da unidade médico-cirúrgica adulto feminina, 18 da unidade médico-cirúrgica adulto masculina, três na maternidade e seis na pediatria. Na correspondência, o superintendente do HU reconhece ''a gravidade da situação e os prejuízos que esta medida poderá ocasionar à assistência à saúde da população''.
No comunicado enviado à secretaria de Saúde de Londrina, Souza solicita que sejam disponibilizados ao hospital médicos plantonistas das áreas de anestesiologia e UTI, profissionais de enfermagem (enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem) e profissionais de áreas técnicas, administrativa e de apoio. Segundo o superintendente, o ''empréstimo'' dos profissionais seria enquanto persistir a atual situação.
Para o secretário municipal de Saúde, Sílvio Fernandes da Silva, ceder profissionais da prefeitura ao HU não resolve o problema e pode, ainda, perpetuá-lo. ''Nos últimos anos, a prefeitura tem investido valores acima do preconizado pela lei para garantir o atendimento básico à saúde da população. Não é possível que o Estado não encontre soluções para a reposição de profissionais'', comentou. O secretário disse ainda que o município não tem sobra de pessoal, e que ''se o governo do Estado não tomar providências, o sistema de saúde em Londrina pode ficar comprometido nos próximos meses''.
O diretor de Sistemas de Sa© úde da Secretaria de Estado, Gilberto Martin, admitiu que ''há demanda concreta de recursos humanos'', mas informou que não há previsão para contratação imediata de pessoal. Ele explicou que, dias atrás, foi feita uma reunião entre representantes das secretarias estaduais de Saúde, Administração e Ciência e Tecnologia (responsável pela gestão de recursos dos hospitais universitários), além de reitores das universidades estaduais e diretores dos hospitais para discutir o assunto e quantificar a necessidade de recursos humanos.
De acordo com Martin, enquanto não se chega a uma solução, a estratégia tem sido dialogar com as universidades para tentar manter o funcionamento dos hospitais. Ele afirmou ainda que, embora a gestão do sistema de saúde seja de responsabilidade do município, ''as situações emergenciais têm sido resolvidas com a intervenção do Estado''.
O superintendente do HU não foi localizado ontem para falar sobre o assunto. A assessoria de imprensa da Universidade Estadual de Londrina (UEL) informou que ele se encontrava em Brasília. A desativação dos leitos do HU deve ser discutida na reunião do Conselho Municipal de Saúde, na próxima terça-feira.


