Telma Elorza
De Londrina
Às vésperas do final do ano, o Hospital Universitário Regional do Norte do Paraná (HU), em Lo5ndrina, ainda não recebeu a verba prometida pelo governo do Estado para reformas e ampliação de uma de suas alas. A superintendência do HU está apreensiva quanto à falta de comunicação do governo porque, após dia 31, o decreto de suplementação de verbas ficaria sem efeito.
No dia 6 de outubro, a vice-governadora, então governadora em exercício, Emília Belinati (PTB), assinou um decreto que garantia o repasse de R$ 1 milhão para as obras de reforma e ampliação do HU, no qual o governo se comprometia a enviar a verba até o final deste ano. Segundo o diretor-superintendente do hospital, Cláudio Camacho Biazin, se o dinheiro não chegar, será necessário novo decreto, o que complicaria a situação do HU. ‘‘Não temos mais como esperar, nossa situação é crítica. A estrutura física do hospital está completamentamente deteriorada’’, afirmou.
A liberação da verba está prometida desde dia 1º de outubro de 1998, quando o governador Jaime Lerner (PFL) assinou termo se comprometendo a repassar, até o final do ano passado, o primeiro R$ 1 milhão para o início da reforma e ampliação da ala central das três unidades de internação. O projeto, orçado na época em R$ 7,5 milhões e hoje já passando dos R$ 8,2 milhões, prevê a ampliação do número de leitos de 290 para 450. A ala central é ocupada pela unidade feminina, maternidade e Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal. Com a refoma, passaria a oferecer 150 leitos.
De acordo com Camacho, as reformas não podem começar sem que este dinheiro seja liberado. ‘‘É impossível fazer reformas com pacientes internados’’, explicou. A idéia, segundo o médico, é liberar algumas áreas internas para que possam receber leitos das unidades de neonatologia e maternidade.
O médico lembrou que o HU foi construído na década de 50 e foi projetado para atender apenas pacientes com tuberculose. Com o tempo, porém, tornou-se um hospital geral, atendendo cerca de 30 especialidades médicas. ‘‘Estamos com uma estrutura imprópria para o tipo de atendimento prestado hoje. Nossa maior preocupação é com o controle de infecção hospitalar, que fica muito difícil de ser feito com as enfermarias de seis leitos e banheiros coletivos’’, explicou.
Nos últimos dias, com o anúncio do fechamento do pronto-socorro do Hospital Evangélico, a situação do HU ficou pior, segundo ele. ‘‘A impressão que temos é que as pessoas não estão nem procurando mais aquele hospital e vindo direto para cᒒ, contou. Segundo Camacho, na semana passada havia 80 doentes internados no pronto-socorro, quando a capacidade é de 36 leitos. ‘‘Tínhamos gente internada em macas, cadeiras, sofás e até nos consultórios’’, contou.
Segundo ele, embora o hospital tenha também um projeto de ampliação do pronto-socorro, a prioridade agora é aumentar o número de leitos. ‘‘O pronto-socorro oferece leitos de curta permanência, para no máximo 72 horas. Depois disso, ou libera ou interna. Não adianta reformá-lo e oferecer mais leitos se não temos como canalizar depois a demanda’’, explicou.
O HU já está passando por reformas no setor de administração, com recursos do próprio hospital provenientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

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