HU tem mais um dia de superlotação
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terça-feira, 14 de maio de 2002
Telma ElorzaReportagem Local 
O Hospital Universitário (HU) de Londrina voltou a apresentar problemas de superlotação na noite de anteontem e ontem durante todo o dia. O pronto-socorro foi fechado das 9h30 às 16 horas, só atendendo casos de urgência e emergência. Dezenas de pessoas tiveram que ser atendidas em macas e cadeiras pelos corredores. Na parte da manhã, das 38 macas disponíveis, 25 estavam ocupadas e nenhum leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) estava disponível. A situação só se normalizou no final da tarde.
Segundo a vice-presidente da Associação Cambeense de Proteção e Defesa dos Direitos da Saúde, Maria José Gonzaga da Silva, 39 anos, que ficou das 14 às 22 horas de anteontem na fila de espera para ser atendida no hospital, o principal problema do HU seria a falta de respeito com o doente. A gente procura o hospital porque precisa, não é porque quer, disse. Segundo ela, os atendentes não repassam nenhuma informação. Eles falavam apenas que estavam com falta de médicos, disse.
A empregada doméstica Maria Aparecida Bianchini, 49 anos, estava ontem no HU acompanhando a filha, Katiane da Silva, 15 anos, e não se conformava com a situação: a adolescente estava internada, desde o começo da manhã, sentada em uma cadeira. Eu acho um absurdo isso. A menina está tomando remédios fortes, fica com sono e não pode nem deitar, reclamou. Segundo ela, a filha chegou a ficar em uma maca, mas teve que ir para cadeira para dar lugar para um paciente em estado mais grave.
Segundo o diretor-clínico do HU, Sylvio Villari Filho, os problemas que o hospital está enfrentando agora são antigos, de antes da greve. Com 287 leitos e com excedente atual de 22 pacientes distribuídos em macas, corredores e consultório, o hospital vive uma superlotação constante. O nosso principal problema é físico e não de falta de profissionais, disse.
Ele também afirmou que é necessário que a Secretaria da Saúde intensifique a orientação da população sobre o fluxo adequado na hora de buscar atendimento médico. O nosso principal foco são os atendimentos de urgência e emergência, e acredito que muitas das pessoas que procuram o HU poderiam estar sendo atendidas nos postos de saúde. Uma pessoa em situação de extrema gravidade não aguentaria ficar 12 horas na fila, comentou.
O diretor-clínico não precisou prazos, mas comentou que está previsto no planejamento do hospital a construção de uma torre de internação que ampliará o número de leitos para 450. Para isso, o HU vai disponibilizar R$ 5 milhões e tem previsto investimento de R$ 1 milhão do governo do Estado. (Colaborou Ana Paula Nascimento)


