O diretor-clínico do Hospital Universitário em Londrina, Sílvio Villari, informou ontem que o HU está tendo que priorizar os atendimentos por causa do ‘estrangulamento’ que o hospital está enfrentando. ‘‘Hoje (ontem) mesmo, vou encaminhar documentação a todos os órgãos de saúde do município, inclusive ao Promotor de Defesa dos Direitos Constitucionais, Paulo Tavares, suspendendo o atendimento a gestantes’’, disse. De acordo com o médico, a maternidade do hospital ainda tem capacidade para internamentos, mas o complexo da UTI neonatal está sobrecarregado.
O HU Tmbém foi vítima de queixa ontem por demora no atendimento. A catequista Jaqueline de Almeida Elisiário, 35 anos, reclamou que no domingo teve que esperar 7 horas por atendimento de seu filho de 14 anos no Hospital Universitário, em Londrina. O menino sofreu corte profundo na perna e foi levado ao hospital pelos pais por volta das 15 horas. ‘‘Só fomos ser atendidos às 22h30, quando se dispuseram a dar três pontos na perna dele’’, informou a mãe.
‘‘Eu entendo que o hospital tenha que priorizar atendimento de urgência e emergência e realmente chegaram vários ali, vítimas de acidentes, trazidos pelo Siate e pela Econorte. Mas, nos intervalos de calmaria, que foram vários, por sinal, poderiam muito bem ter atendido as pessoas que estavam esperando. Meu filho teve febre lá dentro e ninguém fez nada’’, reclamou.
Segundo ela, vários dos casos encaminhados pelo Siate eram de pessoas que teriam bebido demais. ‘‘Entre um bêbado e uma criança com um corte na perna, quem é prioridade?’’, questionou. De acordo com a dona de casa, o próprio médico que atendeu seu filho teria estranhado a demora no encaminhamento do caso. ‘‘Ele falou que tinha demorado muito e que o corte havia ‘grudado’, o que poderia complicar já que não sabia se tinha sujeira dentro ou não.’’
Segundo o diretor-clínico Sílvio Villari, no período compreendido entre às 12 e às 22 horas de domingo o hospital atendeu 29 pessoas somente no Pronto Socorro Cirúrgico. ‘‘Como médico, gostaria de atender todos assim que chegam, porém esta não é a realidade do HU. A gente é obrigado a priorizar. Sabemos que um corte na perna não vai ter consequências mais graves enquanto uma vítima de acidente de trânsito pode morrer.’’ (T.E.)

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