HU suspende atendimento em PS
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segunda-feira, 07 de maio de 2007
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
A manhã de ontem foi dramática para a dona Vitalina Rocha, 77 anos, moradora do Conjunto Mister Thomas (Zona Norte de Londrina). Gemendo muito, ela teve que suportar longos 30 minutos de dores intensas por causa de uma fratura no fêmur, dentro de uma viatura do Siate, enquanto os socorristas resolviam para onde levá-la. ''Estamos aqui já faz meia hora e ela não está aguentando de dor. Não sei o que fazer'', comentou a filha Neuza Rocha, que estava com a mãe, em frente ao Hospital Universitário (HU).
Depois de receberem a informação de que no HU a mulher não teria como ficar, por ''falta de espaço'', os socorristas a levaram para o Hospital Evangélico (HE). Lá, ela receberia os primeiros atendimentos até que surgisse uma vaga no HU, isto porque os médicos ortopedistas do HE e da Santa Casa não estão realizando atendimento a pacientes do Sistema Único de Saúde. No hospital da UEL, ela poderá receber atendimento específico para o caso dela.
Desde a sexta-feira passada, pacientes de Londrina e região que procuram o HU vivem o drama parecido com o de dona Vitalina. O hospital, que conta com 38 leitos, ultrapassou a capacidade de atendimento e chegou a ter 66 pacientes internados nas cinco unidades do Pronto-Socorro (PS). Ontem, pelo menos oito pessoas em estado grave também aguardavam uma vaga na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Os PS médico e ortopédico tiveram atendimentos suspensos e as demais unidades - PS cirúrgico, pediátrico e obstetra - continuam funcionando no limite de suas estruturas.
Acomodados em cadeiras ou em pé, pessoas como Maria Rosa Nunes dos Santos, moradora da Reserva Indígena Faxinal, no município de Cândido de Abreu (191 km ao sul de Apucarana), estão há dias ''dormindo'' no hospital. Ele acompanha a mãe, internada desde quinta-feira esperando um leito na UTI. ''Ela estava vomitando sangue e no hospital lá perto de casa não conseguiram descobrir o que ela tinha, daí mandaram a gente pra cá. Quando ela chegou aqui, já estava desacordada e parece que ela está com tuberculose. Não saio daqui enquanto minha mãe não melhorar'', desabafou Maria Rosa.
Ontem pela manhã, pelos menos dez pessoas aguardavam na fila para receber os primeiros atendimentos. Nos corredores do hospital, macas com pacientes com diversos problemas de saúde dividiam o mesmo espaço por horas ou até mesmo dias.
A assessoria de imprensa do HU informou que a decisão de suspender as duas unidades foi necessária por falta de condições para atender mais pacientes. Casos gravíssimos acabam sendo atendidos nos próprios corredores. Ainda segundo a assessoria, a previsão é de que o PS médico retome o atendimento às 9 horas de hoje. Até o fechamento desta edição, a retorno do PS ortopédico ainda não havia sido definido.
Na Santa Casa e no Evangélico, os atendimentos ontem estavam em ritmo normal. Entretanto, segundo a assessoria de comunicação da Santa Casa, o reflexo da paralisação de um hospital costuma refletir nos outros somente após alguns dias. (Colaborou Guilherme Borges)


