HU suspende atendimento a gestantes de alto risco
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sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
Adriana Ito<BR>Reportagem Local 
O Hospital Universitário (HU) de Londrina está solicitando às outras unidades de saúde e à própria população que não encaminhem gestantes de alto risco ao HU devido à superlotação. Em entrevista coletiva realizada ontem de manhã, o diretor-superintendente Francisco Eugênio Alves de Souza revelou que tanto a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) quanto a Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) neonatais estão lotadas. No caso da UTI, não só os sete leitos estão ocupados, como foram improvisados outros dois no local. Já a UCI tem 10 leitos, mas, destes, quatro estão ocupados por bebês à espera de uma vaga na UTI.
A UTI neonatal havia sido liberada no dia 4, após uma interdição de duas semanas devido à presença da bactéria Acinetobacter banumannii. Souza garantiu que atualmente a UTI neonatal não está contaminada, mas alertou que os riscos de contaminação aumentam com a superlotação. ''Todo hospital enfrenta problemas de bactérias, e nós estamos em constante monitoramento para fazer a detecção precoce e interdição para que as crianças não sejam infectadas. E a superlotação é um dos problemas que leva à contaminação, já que estamos trabalhando com uma sobrecarga maior em um menor espaço físico'', explicou. Segundo o diretor, a UTI neonatal já chegou a atender até 11 crianças de uma vez.
Enquanto não forem liberadas vagas na UTI, o HU vai tentar encaminhar as pacientes para outros hospitais de atendimento terciário. ''Se a gestante chegar aqui e não houver outra alternativa, nós até podemos atender em vaga zero, mas pedimos para as unidades de saúde e à própria população que procure outros hospitais'', afirmou Souza. O atendimento em vaga zero, que o HU pretende evitar, é quando o paciente em estado grave é encaminhado ao hospital mesmo sem que este disponha de vagas.
O hospital tem hoje duas gestantes de alto risco internadas no HU, e que podem tanto receber alta quanto entrar em trabalho de parto. Uma terceira paciente à espera de trigêmeos também vem sendo acompanhada. Caso essas crianças nasçam e precisem de UTI, o HU estuda a possibilidade de transferi-las para os hospitais Evangélico ou Infantil.
Uma das mães internadas é Marcela Mayara Bezerra, 17 anos. Ela está no oitavo mês de sua primeira gestação, e precisou ser internada há oito dias por estar inchada e com pressão alta. ''Posso ter alta, mas quando for ter meu filho, prefiro que ele nasça aqui, porque gostei do atendimento'', confessou. Apesar do risco de não encontrar vaga na UTI, a outra gestante, Elaine Aparecida Braggion, 32 anos, também diz preferir o HU. ''Esse risco tem em qualquer lugar'', alegou. Grávida de 26 semanas, ela está internada para controlar a pressão há doze dias.
Ampliação - O diretor-superintendente informou que o Ministério da Saúde já liberou recursos para a ampliação da UTI e da UCI neonatais, o que deve dobrar a capacidade das duas. ''Só falta a liberação do orçamento no exercício deste ano para ser feita a licitação. Mas as obras devem começar até o final do primeiro semestre'', relatou. O ministério deve destinar R$ 1.957.041,00 para a ampliação da UTI e UCI neonatal e da pediatria, com mais três leitos pediátricos e outros seis para alojar as mães. Ao todo, 313,63 metros quadrados devem ser reformados, além de uma ampliação de 754 metros quadrados. Com a verba, também devem ser adquiridos equipamentos.


