Movimento fraco e pronto-socorros tranquilos marcaram o primeiro dia da segunda tentativa do Hospital Universitário (HU) de Londrina de adotar o atendimento referenciado. Ontem de manhã, havia 27 pessoas internadas nos cinco pronto-socorros, que têm ao todo 26 leitos.
O HU só está atendendo os pacientes encaminhados por hospitais secundários, central de leitos, Siate e Samu. Fora isso, só recebem atendimento os casos mais graves, de urgência ou emergência - o que é identificado por meio de uma avaliação de risco. Nos demais casos, o paciente é orientado a procurar outro serviço de saúde.
A mesma iniciativa já havia sido adotada em julho do ano passado, quando começaram as obras de reforma e ampliação do hospital. Na ocasião, a procura pelo PS diminuiu drasticamente nos primeiros dias, mas voltou a crescer com o passar do tempo. ''A procura espontânea já representava entre 56 e 60% do total de atendimento do PS. Agora caiu bastante, e a idéia é que continue assim'', revelou César Oliveira dos Santos, encarregado do setor de triagem. Entre a meia-noite e as sete horas da manhã de ontem, dos 25 pacientes atendidos no pronto-socorro, seis foram por procura direta.
Um deles, Roberto Marcelino Silva, 37 anos, disse que ficou sabendo do referenciamento dentro do próprio HU. ''Vim para cá porque estava quase desmaiando de dor, tenho uma pedra na vesícula. Graças a Deus tinha vaga. Mas me disseram que a partir de agora, dependendo da gravidade, é preciso procurar o posto de sa© úde ou outros hospitais primeiro'', comentou.
Segundo o superintendente Francisco Eugênio de Souza, é bastante comum as pessoas recorrerem ao HU devido à sua estrutura. ''Existe essa questão cultural, a pessoa quer resolver seu problema o mais rápido possível, e parece ser melhor ir ao HU do que procurar primeiro uma UBS para marcar um exame. Mas isso é compreensível'', amenizou. Pronto-socorros são originalmente destinados a atender problemas pontuais. Para outros problemas, é possível procurar o atendimento ambulatorial, tanto das UBS quanto dos hospitais secundários e terciários, dependendo da complexidade.
Para Eugênio, a população e os serviços de saúde têm conseguido compreender a proposta desse atendimento mais hierarquizado, que é inclusive preconizada pelo Sistema Único de Saúde. Só resta saber até quando isso vai dar certo, afinal, a primeira tentativa não chegou a durar seis meses. ''Em um primeiro momento, achamos que daríamos conta de atender a essa procura, mas percebemos que sem a avaliação de risco poderia não dar certo'', justificou o superintendente, acrescentando que a proposta é manter o referenciamento mesmo depois da conclusão das obras no hospital.

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