Com o início das obras de reforma do Pronto-Socorro (PS) do Hospital Universitário (HU), na próxima segunda-feira, o número de leitos disponíveis vai ser significativamente reduzido. Para tentar minimizar os reflexos disso no atendimento, a direção do hospital já adiantou que vai implantar um sistema de referenciamento, só atendendo pacientes que venham encaminhados de outros hospitais ou trazidos pelo Siate e Samu. No entanto, uma visita da FOLHA ao PS ontem de manhã constatou que essa já é a realidade no hospital.
Grande parte dos pacientes que lotam a sala de espera do maior hospital da cidade já são encaminhados por outras unidades de saúde, ou já se consultaram antes no HU e foram aconselhados pelos próprios médicos a retornar.
''Estou com um cisto no seio. Passei pelo posto de saúde do Novo Amparo (Zona Leste) ontem, mas a médica me disse para procurar o HU que aqui tinha mais recurso'', contou a desempregada Lucineide Rodrigues de Souza, 31. ''Ontem fui no HC (Hospital das Clínicas) e me passaram para cá pra fazer uma biópsia. Eu não queria vir, pois tenho visto a superlotação na TV, mas tá doendo muito'', justificou a aposentada Ilídia de Jesus Jacob, 70.
Ainda se recuperando de uma angioplastia feita no próprio HU, Irene Manfre, 78, passou mal na noite passada e foi ao posto de saúde do Jardim Santo Amaro, em Cambé. Não teve jeito: foi encaminhada de volta ao hospital. ''Estou pedindo a Deus para não demorar (o atendimento), porque vê-la sofrer dói na gente'', comentou a filha.
O comerciante José Aparecido de Souza, 49, contou que levou o filho de 14 anos para o PS do HU por solicitação do próprio médico. ''Ele está com um abcesso, fez um dreno aqui no domingo, e agora teve que voltar. O problema de se procurar um posto de saúde nesses casos é que você sabe que vão acabar te mandando para o hospital. São duas locomoções e muita perda de tempo.''
Fora dos prontos-socorros de hospitais públicos - os da Zona Norte (HZN) e Zona Sul (HZS) também estão afogados - as opções para pacientes com problemas de saúde urgentes são o Pronto Atendimento Municipal (PAM), a unidade 24 horas do Jardim Leonor (Zona Oeste) e as unidades 16 horas do Jardim União da Vitória (Zona Sul) e do Conjunto Parigot de Souza (Zona Norte). Nos demais postos de saúde, não raro os cidadãos são informados de que só podem ser atendidos com consulta.
Os próprios pacientes ficam confusos sobre qual unidade procurar e acabam peregrinando por vários locais - esforço que acaba agravando o problema de saúde. O autônomo José Domingues Neto, 46, levou a esposa ao HZN com fortes dores renais, na noite de anteontem. Lá, segundo Domingues, ela foi medicada e aconselhada a procurar o posto da Vila Casoni, onde o casal reside.
''Fomos até lá, mas só tinha consulta para amanhã (hoje). Como ela está com muita dor e o PAM é superlotado, trouxe para o Leonor'', recapitulou. ''A área de saúde está muito precária. Tinha que ter mais estrutura, mais médicos e melhor atendimento'', cobrou.
A diretora-executiva da Secretaria Municipal de Saúde, Sônia Nery, afirmou que a recomendação é que as pessoas sempre procurem primeiro as unidades básicas mais próximas de suas casas. Segundo ela, embora trabalhem com consultas marcadas, os postos podem abrir espaço na agenda do dia para casos mais urgentes. ''Em caso de dúvida sobre onde procurar atendimento, os pacientes também pode ligar no Samu (192)'', esclareceu.

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