HU reconhece falta de estrutura
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 07 de janeiro de 1999
Marcos Zanatta 
O médico Durvalino Gusmão de Aguiar, chefe da divisão de atendimento do Hospital Universitário (HU) de Maringá, disse ontem que o bebê Maicon Gabriel Pereira Borges, de 2 meses, morreu mesmo em virtude das queimaduras que sofreu por quase todo corpo.
Anteontem, a mãe da criança, Edna Pereira Gomes, 19, disse à Folha que Maicon tinha morrido oito dias depois de sofrer as queimaduras em decorrência de atendimento inadequado por parte do hospital. Não temos estrutura para atender queimados, e aceitamos o bebê porque não existia outra alternativa para a família, diz Aguiar.
Ele explica que a criança precisava de profissionais e condições especiais, o que não existe no HU de Maringá. O bebê ficou exposto a todo tipo de infecção porque não temos setor de queimados, lamenta.
Aguiar garante que a equipe de atendimento fez tudo para preservar a vida da criança, que tinha queimaduras sérias por quase todo o corpo. Segundo ele, é o terceiro filho de Edna que morre ainda bebê, o que não é comum mesmo entre os moradores de municípios pobres da região.
O HU quer também fazer uma campanha para orientar os usuários, mostrando a falta de estrutura para acolher todos os pacientes que precisam de internação. O hospital tem 60 leitos e abrange 29 municípios.
Anteontem, a assessoria do HU informou à Folha que o diretor clínico Ricardo Plepis Filho somente falaria sobre o caso depois de verificar as fichas de atendimento do paciente.


