Mais um hospital de Londrina vai receber o título Amigo da Criança, uma iniciativa do Unicef e Organização Mundial da Saúde (OMS). Depois do Hospital Evangélico e da Maternidade Municipal, é a vez do Hospital Universitário (HU) receber oficialmente a qualificação. A solenidade está marcada para hoje, às 10 horas, no saguão principal do hospital, com descerramento da placa de reconhecimento da iniciativa e apresentação do coral Em Canto, do HU.
A instituição foi avaliada em meados de abril e o resultado oficial saiu no dia 26 daquele mês. Para receber o título, o HU teve que promover uma série de mudanças de comportamento em todo o atendimento materno-infantil, visando acima de tudo o estímulo à amamentação. O processo foi iniciado em 1995 e de lá para cá estima-se que aproximadamente 500 pessoas, entre funcionários do setor materno-infantil, internos e residentes, submeteram-se ao treinamento básico de promoção e manejo do aleitamento materno.
Este treinamento – que dura 18 horas – é uma exigência do Ministério da Saúde e, segundo a assistente social Renicler Oliveira de Assis, foi uma das principais dificuldades enfrentadas na implantação da Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC). ‘‘É que no caso de um hospital público, que é também hospital-escola, a rotatividade de profissionais é grande e o treinamento tem que ser constante’’, explica. No Brasil, apenas 12 hospitais-escola já receberam a placa da IHAC, entre eles o HU.
Nos últimos cinco anos, os esforços da instituição concentraram-se no cumprimento dos ‘‘10 Passos para o Sucesso do Aleitamento Materno’’. Na época em que se decidiu pela iniciativa, o hospital praticamente não contava, por exemplo, com alojamento conjunto. Hoje os bebês que nascem com boas condições de vitalidade ficam 24 horas ao lado da mãe, desde o momento do nascimento.
‘‘Durante avaliação feita em 95 também percebemos que muitos bebês recebiam outros tipos de leite no berçário sem prescrição médica. Hoje isso só é feito quando o médico determina’’, afirma Renicler. O trabalho dos últimos anos é resumido pela assistente social como um estímulo à intensificação do vínculo entre mãe e filho. ‘‘Isto resulta na maior qualidade de vida e redução da mortalidade infantil, entre outras vantagens.’’
Material divulgado pelo Ministério da Saúde lembra ainda que o aleitamento materno proporciona nutrição de alta qualidade para a criança, contribuindo para seu crescimento e desenvolvimento; diminui a incidência de doenças infecciosas, reduzindo a mortalidade infantil; contribui para a saúde da mulher e amplia o espaçamento entre partos; proporciona benefícios sociais e econômicos à família e à nação; proporciona, quando bem adotado, satisfação à maioria das mulheres.
Esta satisfação é sentida pela jovem Ana Maria Severino, de 19 anos, sempre que amamenta o pequeno Rangel, que nasceu com apenas 29 semanas de gestação. Aos 26 dias de nascido, ele já ganhou 500 gramas. Ana Maria não esconde a satisfação, ao dizer que sabe da importância do seu leite para o filho. Rangel é um dos bebês que se encontram atualmente na Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) do HU.
A implantação do programa praticamente independe de recursos financeiros. A experiência de outros hospitais credenciados como Amigos da Criança mostra, no entanto, que a iniciativa resulta em economias diretas e indiretas. Uma delas é a eliminação do uso generalizado de leites artificiais e água glicosada, além de mamadeiras e chupetas.

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