HU realiza parto raro em Londrina
Lucilia Okamura
Josoé de CarvalhoHistória incomumA mãe Marilsa Floriano e Mariângela, prematura de sete meses: criança nasceu 24 dias após o irmão, caso raro na medicinaUm caso raro de parto de gêmeos foi registrado no Hospital Universitário de Londrina. Uma mulher de 34 anos deu à luz um dos bebês em abril, que acabou morrendo por causa da extrema prematuridade. Vinte e quatro dias depois, nasceu o outro bebê, Mariângela, que hoje está com 18 dias. Segundo o HU, este caso é o primeiro que se tem notícia na literatura médica latino-americana. Geralmente, o nascimento de um gêmeo ocorre logo em seguida ao do outro.
A mãe dos bebês, a professora Marisa Comunello Floriano, mora em Manoel Ribas (146 quilômetros ao sul de Apucarana). O ginecologista e obstetra do HU Ricardo Mendes Alves Pereira explica que a paciente estava esperando gêmeos dizigóticos (quando há duas placentas). Segundo ele, a gravidez seguiu bem até a 24ª semana.
Josoé de CarvalhoSobrevivênciaO ginecologista Ricardo Pereira: esforço para ‘segurar’ bebêNo dia 22 de abril, a bolsa de um dos gêmeos rompeu e Marisa Floriano foi encaminhada ao HU. ‘‘Constatamos que ela já estava em trabalho de parto e havia dilatação do colo uterino’’, explica o médico. No mesmo dia, nasceu o bebê do sexo masculino, com 630 gramas. Ele sobreviveu por 20 horas. O bebê morreu devido à prematuridade.
Após o nascimento do primeiro gêmeo, os médicos começaram a tomar os procedimentos para tentar ‘‘segurar’’ o outro bebê. Segundo o ginecologista, foram administrados medicamentos para reter as contrações e feita uma cirurgia denominada cerclagem - fechamento do colo uterino, que estava aberto após o nascimento do primeiro gêmeo. A professora ficou internada no hospital, evitando ao máximo fazer movimentos.
Avaliações médicas foram feitas diariamente. Ricardo Pereira revela que existiam riscos de infecção na paciente e de que o trabalho de parto se desenvolvesse. ‘‘A nossa expectativa era de levar a gravidez o máximo possível. Quanto mais tempo dentro do útero, o bebê teria mais chances de sobrevida.’
No dia 14 do mês passado, houve a ruptura da bolsa do segundo gêmeo. ‘‘Voltamos a administrar antibióticos, medicamentos para inibir as contrações e corticóide para acelerar a maturação do pulmão do beb꒒, conta Pereira.
Três dias depois, a equipe médica resolveu fazer a cesariana e nasceu o segundo gêmeo, desta vez do sexo feminino. Mariângela nasceu com 940 gramas e, por causa da prematuridade e do baixo peso, continua na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal. O quadro do bebê é estável. A mãe teve alta no dia 22 de maio, cinco dias após o parto.
O ginecologista observa que partos de gêmeos como este são extremamente raros. ‘‘Em toda a literatura médica da América Latina não há descrição de casos semelhantes’’, afirma Ricardo Pereira. ‘‘Na literatura mundial existem poucas dezenas de casos parecidos.’ Ele observa que o último caso que se tem notícia aconteceu há cerca de seis meses, na Inglaterra.
Além de todos os procedimentos médicos que garantiram a sobrevida do segundo gêmeo, o ginecologista diz não haver uma explicação de como determinadas pacientes conseguem não entrar em trabalho de parto logo após o nascimento do primeiro bebê. ‘‘Este caso mostra que o HU tem condições de dar assistência às gestantes de alto risco e atenção às crianças nascidas em condições semelhantes’’, diz Ricardo Pereira.
De acordo com o médico, as chances de sobrevida de um bebê prematuro acontecem a partir de 27 a 28 semanas. ‘‘É muito remota a possibilidade de sobrevivência antes de 27 semanas. Quando isso ocorre, o bebê pode apresentar sequelas.’

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