A coleta de células-tronco de uma doadora não aparentada com o receptor, ocorrida esta semana pela Unidade de Transplante de Medula Óssea (TMO) do Hospital Universitário (HU) de Londrina, foi o primeiro procedimento do gênero realizado pela equipe da instituição.
Inaugurada em setembro de 2010, a unidade realizou sete transplantes autólogos, ou seja, do paciente para ele mesmo, nos primeiros meses de funcionamento. Graças à coleta das células-tronco retiradas da representante comercial Andreia, 42 (cujo sobrenome não pode ser divulgado por causa da confidencialidade do processo), o hospital tornou-se mais um centro de referência brasileiro para realização do procedimento.
''Fizemos a coleta por solicitação do Inca (Instituto Nacional do Câncer)/Redome (Registro Brasileiro de Doadores de Medula Óssea)'', explicou a médica hematologista Letícia Gordan Martins, da TMO. Ela explicou que a doação foi do tipo alogênica não aparentada.
As células-tronco foram retiradas através da aférese. A técnica consiste em extrair apenas as células-tronco do sangue do doador, em processo similar a uma transfusão de sangue. Ao contrário da retirada de medula óssea por punção no quadril, que exige aplicação de anestesia, a doação alogênica é feita em ambulatório e dispensa internação.
De acordo com o médico hematologista Fausto Celso Trigo, da TMO, os riscos são mínimos e dizem respeito apenas à possibilidade de rompimento da veia, o que também pode acontecer em qualquer coleta de sangue. Ele explicou que a técnica utilizada atendeu a solicitação do centro médico que realizaria o transplante no paciente.
Procedimento simples
Cadastrada no Redome há dois anos, em uma coleta externa do Hemocentro do HU, Andreia foi contatada por profissionais do Inca no início deste mês. Depois de realizar exames mais detalhados, descobriu que tinha 100% de compatibilidade com um paciente que precisava de transplante de medula óssea. Examinada também para garantir que as próprias condições de saúde a tornavam apta para doar, ela submeteu-se a duas sessões para retirada do material, nos dias 8 e 9 de fevereiro.
O primeiro procedimento durou cinco horas e retirou 350 milhões de células-tronco do sangue de Andreia. No dia seguinte, em três horas, foram retiradas mais 150 milhões de celulas. A quantidade, explicaram os médicos, é ''insignificante'' para o corpo da doadora, mas tem capacidade de repovoar todo o sangue do receptor.
Para Andreia, que considerou o procedimento simples, a assistência da equipe da TMO foi fundamental para manter a tranquilidade. ''Fui monitorada o tempo todo. Comi, assisti filme e tomei líquidos. Só senti um pouco de dor nas costas'', contou.
Para ela, a oportunidade de poder salvar uma vida é comparada à sorte de ganhar na mega-sena acumulada. ''O número de cadastrados no Brasil ainda é muito pequeno. Estou divulgando minha doação para incentivar as pessoas a se cadastrarem.''

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