HU realiza 1º transplante de medula
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quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
A equipe do Hospital Universitário (HU) de Londrina realizou o primeiro transplante de medula óssea do interior do Paraná em uma mulher de 60 anos, de Cornélio Procópio (Norte), que sofria de mieloma múltiplo, um tipo de câncer sanguíneo. A paciente foi encaminhada pelo Instituto do Câncer de Londrina, sendo que o transplante foi realizado no dia 13 de setembro, mas divulgado ontem. A mulher permanece internada na unidade de Transplante de Medula Óssea (TMO) do HU.
Segundo as médicas da unidade de TMO do HU, Letícia Gordan Martins e Joana Ciocari, a primeira paciente transplantada deve receber alta no final da próxima semana. Outros dois pacientes já estão em processo de transplante, com cirurgias previstas para outubro: um rapaz de 26 anos, morador de Rolândia (Norte), e outro de 38 anos, de Londrina.
Letícia explicou que a paciente deu entrada no hospital no dia 9 de setembro para o transplante autólogo, no qual são utilizadas células do próprio paciente. Ela passou por várias fases antes do transplante propriamente dito, entre elas, a mobilização para coleta de células tronco, realizada em ambulatório.
''Já no período de internação, ela passou pelo regime de condicionamento, que consiste em uma quimioterapia de altas doses, na infusão das células colhidas, que é o transplante propriamente dito, e pela fase de recuperação, que é a chamada pega da medula óssea'', detalhou Letícia.
Conforme Joana, o período de transplante varia entre 30 e 40 dias e no caso da paciente de Cornélio Procópio ''correu muito bem, mesmo ela tendo sofrido as intercorrências normais de uma cirurgia deste tipo, como infecções, por exemplo''.
De acordo com Letícia, a alta hospitalar é apenas a primeira etapa do transplante: ''Ela passará por um acompanhamento de um ano e, no início, deverá fazer visitas semanais ao ambulatório pós-transplante da unidade TMO'', declarou a médica, lembrando que a demanda por transplantes de medula óssea em Londrina é reprimida. ''Esta unidade do HU irá atender Londrina e toda a macrorregião do Norte do Paraná, o equivalente a uma população de 1,8 milhões de habitantes'', apontou.
A paciente recebeu ontem a visita do governador Orlando Pessuti e do secretário estadual da Saúde, Carlos Moreira Júnior. O secretário ressaltou que o Paraná realiza cerca de 140 transplantes de medula óssea por ano, sendo que o número preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 200 transplantes anuais para cada 10 milhões de habitantes. ''Fila total de espera por órgãos no Estado é de 3 mil pacientes'', completou Moreira.
Por uma determinação protocolar, durante os próximos dois anos os transplantes serão autólogos, quando o paciente torna-se o seu próprio doador. Na unidade, que conta com dois leitos para realizar as cirurgias e dois para o atendimento diário, serão ainda 30 profissionais entre médicos e enfermeiros.


