HU pára atendimento em pronto-socorro
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quinta-feira, 11 de outubro de 2001
Célia Guerra<br> De Londrina 
O atendimento no pronto-socorro do Hospital Universitário (HU) de Londrina está suspenso, desde às 13 horas de ontem. Os funcionários decidiram manter apenas o atendimento aos pacientes internados e os casos trazidos pelo Siate. Os doentes que chegarem ao HU serão encaminhados para outros hospitais da cidade, segundo a presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Saúde (Sinsaúde), Ana Maria da Cruz. O sindicato assumiu toda a responsabilidade legal da paralisação no hospital.
A decisão, segundo o Sinsaúde, foi uma resposta da categoria à decisão do Tribunal de Justiça em extinguir o mandado de segurança do pessoal da Universidade Estadual de Londrina (UEL) que suspendia o desconto dos dias parados nos salários. ''Se para o desembargador não há lei que regulamente nosso direito de greve, não temos também o compromisso de manter os atendimentos essenciais'', contesta.
A representante da Comissão de Ética do comando de greve, Maria Aparecida Ramalho de Oliveira, informou, emocionada, que há muitos funcionários ''doentes'' pela condição física, econômica e social em que vivem. Ela denunciou que há pessoas passando fome e que estariam levando para os filhos os pães servidos pelo hospital. Aparecida comentou ainda a sobrecarga de trabalho dos servidores que estão assumindo as vagas deixadas por funcionários que se demitiram ou se aposentaram.
O diretor-superintendente do HU, Cláudio Camacho, disse que solicitou a contratação de mais 92 pessoas para suprir a demanda do HU e do Hospital de Clínicas, mas não teve nenhuma resposta do governo do Estado.
A suspensão do atendimento no pronto-socorro será mantida até a próxima terça-feira, quando deve ocorrer uma nova assembléia de avaliação do movimento entre todas as categorias da universidade.
Enquanto o fechamento do pronto-socorro era decidido na UEL, uma reunião na prefeitura convocada pelo secretário de Saúde, Silvio Fernandes, com lideranças da saúde e representantes dos outros hospitais, discutia o atendimento nos demais hospitais da cidade durante a greve do HU. Por sugestão do diretor-clínico do Hospital da Zona Norte, Antonio Carlos Petrus, a secretaria se comprometeu em reforçar o número de funcionários nos dois hospitais do município. A medida será estendida aos três postos de saúde 24 horas para que a demanda possa ser atendida.
Sílvio Fernandes considerou justificável o estado emocional dos funcionários do HU. Ele assumiu o compromisso de enviar uma correspondência ao governo do Estado declarando o apoio do município ao movimento e a preocupação com a situação do Hospital Universitário. A crise do HU será discutida também numa reunião com os secretários de saúde das prefeituras da região, no próximo dia 18.


