O pronto-socorro (PS) do Hospital Universitário de Londrina permaneceu com os atendimentos suspensos, ontem, durante o dia, por causa da superlotação. Dezenove macas estavam espalhadas pelos corredores e em salas improvisadas para internamento. Às 19 horas de ontem, o médico plantonista faria uma avaliação no PS, para ver a possibilidade de reabrí-lo para consultas. Até o fim da tarde, os atendimentos eram feitos somente em caso de urgência e emergência. A suspensão aconteceu às 13 horas de sexta-feira.
O garoto Michael Reis Ferreira, de 12 anos, entrevistado pela reportagem da Folha na quinta-feira, continuava internado em uma maca no corredor. Ele está no hospital desde o começo da semana. Michael contou que aguarda resultados dos exames para ver se recebe alta ou vai para a enfermaria. ''Acho que só na segunda-feira'', lamentou.
O diretor-superintendente do hospital, Francisco Eugênio Alves de Souza, explicou que a situação é realmente crítica e que um dos motivos para a lotação é a mudança de clima. ''Mas não é apenas isso'', afirmou. Ele relatou que existem duas questões principais que provocam essa situação. A primeira é que muitas pessoas procuram o hospital diretamente, sem antes passar por um atendimento primário. ''Às vezes o caso nem é tão grave, mas elas vêm direto para o hospital'', relatou. ''Primeiro elas deveriam procurar atendimento nos postos de saúde, no PAI (Pronto Atendimento Infantil). Se tiverem um problema grave, elas já vêm encaminhadas e facilita nosso atendimento'', exemplificou.
Um outro aspecto, segundo o diretor, é quanto resolutividade nos postos, que precisariam de mais médicos, laboratórios e aparelhos para exames como Raio X e ultrassom. Ele concorda que muitas vezes as pessoas procuram diretamente o hospital, pois confiam nos serviços.
Francisco Eugênio de Souza afirma que para resolver o problema da superlotação é preciso ampliar o PS do hospital. ''Tem algumas estruturas no PS que foram construídas há mais de 20 anos'', disse. Ele adiantou que o hospital já fez a licitação e agora aguarda a contratação de uma empresa para a construção de um novo prédio.
Segundo Souza, o novo prédio terá uma área específica para internação. Na primeira fase da construção serão construídos três andares, mas a planta é para um prédio de oito andares. O investimento gira em torno de R$ 7,5 milhões. ''Nós já temos uma parte do dinheiro e o Governo do Estado está ajudando com R$ 1 milhão'', contou. As obras estão previstas para serem concluídas em dois anos.

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