Os pronto-socorros Médico (PSM), Pediátrico (PSP) e Ortopédico do Hospital Universitário (HU) de Londrina continuavam lotados ontem, apesar da decisão de restringir o atendimento, na medida do possível, a pacientes encaminhados por outros hospitais ou ambulâncias. Na quarta-feira, os pronto-socorros, que têm 26 leitos ao todo, chegaram a ficar com 47 pacientes internados.
Ontem, o número havia baixado para 31, mas ainda havia gente internada nas salas de gesso, de emergência (que deveria ficar à disposição para atendimento imediato de casos mais graves), de consulta, de triagem, no corredor e em cadeiras. Sem ter sequer onde examinar novos pacientes, o PSM ficou fechado ontem até as 17 horas, enquanto o PSP fechou até o meio-dia. Dos seis pacientes que aguardavam vaga na UTI, quatro estavam no PS.
''Pedimos a colaboração dos órgãos da Secretaria de Saúde e da população para que só procurem o HU em caso de urgência e emergência. Nós só vamos atender os pacientes de alta complexidade, encaminhados via central de regulação'', ressaltou Vivian Feijó, chefe da divisão de enfermagem do PS. Segundo ela, isso não significa que o atendimento vá ser negligenciado. ''O paciente que procurar o HU vai passar por uma triagem e, dependendo da gravidade, será encaminhado a uma outra unidade de saúde'', esclareceu, lembrando porém que algumas pessoas insistem em aguardar no HU, mesmo sabendo da demora e da possibilidade de procurar um hospital secundário ou, por vezes, um posto de saúde.
Ontem, a reportagem encontrou um homem com crise renal e outro com diabetes à espera de atendimento no PS. Ambos poderiam ter procurado uma Unidade Básica de Saúde (UBS). ''Tenho diabetes, e o atendimento do Estado é muito ruim. Sou de Santa Mariana, e vim aqui para me consultar com um especialista'', explicou-se Claudemir Batista Costa, 39 anos.
A baixa rotatividade de pacientes no PSM também contribui para que o setor precise enfrentar constantes superlotações. ''Muitas vezes é preciso internar a pessoa para investigar melhor o problema, e não dá para transferi-los por falta de leitos ou da própria especialidade em hospitais secundários'', observou Vivian. Vale lembrar que, além do HU, os hospitais da Zona Norte e da Zona Sul também estão em reforma.
Com tudo isso, os maiores prejudicados são os pacientes que realmente precisam de um atendimento de alta complexidade. Com anemia falsiforme, Julio Cesar Pereira da Silva, de Jaguapitã, estava internado desde a manhã de quarta-feira em uma maca improvisada no corredor. ''Já fiquei internado no corredor do HU várias vezes. É difícil descansar devido ao movimento, mas de madrugada é mais tranquilo'', contou.
A secretária de Saúde de Londrina, Marlene Zucoli, disse que o HU tem 307 leitos cadastrados no SUS, sendo que a taxa de ocupação média é de 73%. ''Agora, eventualmente existe superlotação no PS em todos os hospitais e acredito que há a necessidade de rever a administração interna dos leitos do HU.'' Segundo ela, foi criada uma comissão com representantes do Estado, Município e prestadores de serviço (inclusive o HU) para administrar os leitos. O grupo de trabalho, de acordo com Marlene, vai criar um protocolo de encaminhamento dos pacientes.

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