Antecipando-se à chegada dos auditores da Secretaria de Estado de Saúde, a direção do Hospital Universitário (HU) reforçou ontem a Comissão de Análise de Óbitos que vai analisar ''profundamente'' quais as circunstâncias que levaram à morte 25 pacientes este ano que aguardavam vagas em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O resultado deve sair em 10 dias. Segundo o superintendente do HU, Francisco Eugênio, mesmo em um leito improvisado no Pronto-Socorro (PS), semelhante ao de uma UTI, os pacientes receberam todo o atendimento possível. No final da tarde de ontem, uma idosa em estado grave aguardava no PS uma vaga no setor de cuidados intensivos.
A diferença entre as duas auditorias que serão realizadas é que a interna vai analisar pontualmente quais as circunstâncias que concorreram para a morte de 25 pessoas este ano que aguardavam leitos de cuidados intensivos. Já a do Estado, cujos resultados deverão ser apresentados no dia 27, pretende ser mais profunda e vai investigar a forma de utilização dos leitos de UTI no hospital.
A mais recente crise envolvendo o HU foi deflagrada no início da semana após o vazamento de uma correspondência interna da médica chefe do Centro de Terapia Intensiva Adulto, Lucienne Queiroz Cardoso, enviada ao diretor clínico Sinésio Moreira Júnior. No comunicado, a médica aponta que até o dia 10 de junho, 327 pacientes com indicação de UTI não foram admitidos imediatamente por falta de vagas. ''Infelizmente, 25 pacientes (8%) potencialmente recuperáveis morreram nas enfermarias e PS à espera de um leito de cuidados intensivos'', destacou a médica.
Em entrevista, o superintendente do HU, Francisco Eugênio, não descartou nem confirmou que as mortes possam ter relação com a falta de vagas de UTI para adultos, que convive diariamente com taxa de ocupação de 100%. ''Estamos fazendo uma análise de caso a caso para definir em que condições esses pacientes evoluíram para o óbito'', afirmou. Por outro lado, assegurou que em algum outro setor do hospital ''todos tiveram atendimento o mais adequado possível, com equipamentos e orientação do pessoal da UTI''. Para Eugênio, o HU precisaria imediatamente da instalação de mais 10 leitos de cuidados intensivos para conseguir atender a demanda.
Em comunicado, a reitoria da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e direção do HU rebateram que o comunicado interno divulgado pela imprensa traz dados não oficiais e ''que por isso não foram nem endossados nem desmentidos pela direção''. A nota ressaltou ainda que a direção está ciente da situação de falta de leitos de UTI, tanto que desde 2003 vem apresentando projetos de adequação, reforma e ampliação das unidades ao Ministério da Saúde e negociando recursos.
Enquanto se discutia o porquê das 25 mortes recentes, a rotina de superlotação colocava em risco mais pacientes. Ontem a tarde, uma senhora com quadro de acidente vascular cerebral era monitorada por aparelhos e em ventilação mecânica numa sala da emergência do PS por que não havia leito disponível na UTI. Uma outra senhora, com suspeita de hipertensão intracraniana, aguardava resultados de exames e também poderia precisar ser transferida para a UTI.

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