HU inaugura setor de Tisiologia
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terça-feira, 01 de março de 2005
Francismar Lemes<br>Reportagem Local 
As doenças também se adaptam à globalização. Enfermidades como a tuberculose, que os países desenvolvidos imaginavam existir só no terceiro mundo, chamam a atenção das autoridades de saúde nesse novo mapa mundial. Para atender a demanda, o Hospital Universitário (HU) de Londrina, que recebe pacientes até do Paraguai, reabriu ontem pela manhã o setor de Tisiologia, fechado há um ano e dois meses.
A obra custou R$ 133 mil, sendo R$ 100 mil do Ministério da Saúde, credenciando o hospital para o atendimento de pacientes com síndrome respiratória aguda. O HU atende cerca de 80 pacientes com tuberculose por ano. Outros 350 partadores de doenças respiratórias passam pelo hospital, anualmente.
''Nesses últimos dois anos, estamos investindo no hospital, entre custeio e manutenção mais de R$ 9 milhões, com recursos federais e estaduais'', apontou o superintendente do HU, Francisco Eugênio Alves de Souza.
A unidade conta com 11 leitos e um sistema de ar com pressão negativa, que isola o setor, evitando que o bacilo presente nos pacientes com tuberculose contamine outras pessoas internadas na unidade. Para o tratamento, que dura no mínimo seis meses, os pacientes ainda contam com sala de exames, como pulsões e biópsias.
Um teste seletivo para a contratação temporária de 50 técnicos de enfermagem será realizado, sendo que alguns deles atenderão na Tisiologia, reforçando o quadro de funcionários que já trabalhavam no setor e que foram deslocados para outras atividades, desde que a unidade fechou.
''A reabertura da unidade representa a retaguarda do HU para tratar a população, tendo onde ser internada'', afirmou o chefe da disciplina de Cirurgia Toráxica do HU, João Carlos Thompson. Já o chefe do setor de Tisiologia, Denison Noronha Freire, ressaltou que o tratamento da tuberculose é domiciliar, mas quando o paciente é carente há a necessidade de internação. ''Internamos também se houver riscos de contaminação de outras pessoas'', assegurou.
Freire lembrou que a associação da Aids com a tuberculose é mais um traço no mapa do mundo globalizado. Um estudo realizado por ele, entre 1991 a 1995, identificou 880 casos de tuberculose. ''O novo setor de Tisiologia também é importante para a formação do médico porque não estava sendo discutida a tuberculose nas faculdades de medicina. Os médicos estavam saindo despreparados para a doença.''


