Em quase 24 horas, só uma hora e meia de atendimento ao público. A cena, que há tempos vem sendo registrada na rede hospitalar de Londrina, dessa vez teve como palco o Pronto-Socorro Médico (PSM) do Hospital Universitário (HU) da cidade. Com as 38 vagas do PS geral ocupadas, muitos pacientes que tentaram ser atendidos ontem e anteontem tiveram de esperar um bom tempo no setor de triagem e torcer pelo anúncio da vez. Adaptado para receber vítimas de Acidente Vascular Cerebral (AVC), o PSM teve o atendimento suspenso às 10 horas de segunda-feira, com retomada somente às 22 horas. Feita reavaliação, a área foi fechada novamente até às 9h35 de ontem após uma breve abertura, por volta das 8 horas , com previsão de retomada somente às 20 horas de ontem, o que também dependeria de avaliação.
De acordo com a supervisora do PS do HU, a enfermeira Elaine Galvão, a lotação nos quatro boxes no PSM que representam a etapa anterior à da internação fez com que alguns pacientes tivessem de ser atendidos na sala de emergência. ''Já os que chegaram até os boxes, alguns até em estado grave, tiveram de aguardar até que surgisse leito vago'', afirmou, completando que seria difícil a reabertura ''pois não temos para onde escoá-los.''
Na triagem, pacientes e familiares torciam pelo que parecia praticamente impossível: uma reavaliação no meio da tarde que reabrisse o PS Médico e aliviasse as horas de espera e, em alguns casos, de bastante dor. ''Cheguei depois do almoço e, até agora, nada de atenderem minha filha'', lamentou a dona-de-casa Luciléia Faria Costa, de 56 anos, com a jovem que se queixava de dores devido a um começo de hemorragia.
A cabeleireira Ana Cristina Santos, de 36 anos, torcia para um final um pouco mais feliz para o caso da mãe, que sofre de inflamação nos pés. Essa era a terceira veze que a levou ao HU, em menos de um mês. ''Da última vez que viemos aqui, ela teve que esperar quase sete horas para receber atendimento. Tomara que hoje seja diferente'', disse.
Se depender do Comitê Gestor da Crise Hospitalar de Londrina, pode ser que o problema da falta de vagas em PSs da cidade não seja resolvido no prazo que se imaginava. Em reunião no último dia 24, o grupo (formado por 40 entidades) decidiu pela abertura emergencial de 30 leitos de PS no Alto da Colina, que é do Hospital Evangélico (HE), e pela implantação do internamento domiciliar. Na ocasião, os representantes chegaram a estabelecer um prazo de uma semana para que a proposta se viabilizasse.
Entretanto, ante o cancelamento da segunda reunião, marcada para ontem à noite, a chefe da 17 Regional de Sa© úde, Vânia Gutierrez, também membro do Comitê, reconheceu que a meta inicial com prazo já vencido deve levar mais tempo do que se podia imaginar. ''Amanhã (hoje) nos reunirmos para marcar uma nova reunião; antes é difícil traçar qualquer plano'', avaliou.

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