O Hospital Universitário (HU) da Universidade Estadual de Londrina realiza hoje uma cirurgia inédita na cidade: a gastroplastia, ou redução do estômago, indicada para pacientes com obesidade mórbida (quando o excesso de peso se transforma em doença). A cirurgia será feita a partir das 8h30 pelo médico Arthur Garrido, de São Paulo, e transmitida ao vivo pelo circuito interno de TV. Profissionais da área médica e o público geral poderão acompanhar a operação por meio de um monitor instalado no anfiteatro do hospital. A paciente será a londrinense Ana Cristina Piaie de Oliveira Paula, 34 anos, e 174 quilos.
Segundo o médico Antonio Carlos Valezi, especialista em cirurgia no aparelho digestivo e professor do HU, a técnica foi criada em 1994 por um médico colombiano radicado nos Estados Unidos, chamado Capella, e demora em média três horas e meia para ser realizada. Ao final, reduz em 90% a capacidade gástrica da paciente - ou seja, de 1000 ml para algo em torno de 80 a 100 ml.
Antonio Valezi explica que o paciente operado, com o estômago menor, vai ficar saciado se alimentando muito menos do que antes. E, comendo menos, emagrece mais rápido e depois tem mais facilidade em manter o peso.
Apenas pacientes com obesidade mórbida estão indicados para fazer a cirurgia. A doença é constatada através do Índice de Massa Corpórea, ou IMC, que é o resultado do peso da pessoa (em quilos) dividido pela altura (em metros) ao quadrado. Uma pessoa normal tem o IMC de 20 a 25. Quando o resultado da equação é maior que 40 - como Ana Maria, que tem um IMC de 55 -, ela já pode se considerar com obesidade mórbida. Pessoas com obesidade causada por problemas endocrinológicos, por exemplo, não estão capacitados para a operação.
Durante a cirurgia, o paciente recebe anestesia geral e a incisão é de aproximadamente 15 centímetros. O risco de óbito está em torno de 1%, como na maioria das operações mais simples. O médico observa que somente os problemas cardíacos, um dos fatores que acompanham a obesidade, tem índice de mortalidade bem maior: 2,5%.
No primeiro mês depois da cirurgia, o paciente só se alimentará de líquidos e vitaminas. No segundo mês, já passa a comer alimentos triturados e só voltará a ter uma alimentação normal - ainda que com o apetite muito menos voraz - depois de 90 dias. ‘‘Não há risco de desnutrição.’
O médico explica que Arthur Garrido é o maior especialista no assunto do Brasil e já realizou mais de 600 cirurgias. Ontem à noite ele estaria no anfiteatro do hospital falando sobre a técnica com médicos da cidade. Mas o HU já tem uma equipe montada, com nutricionistas, psicólogos, endocrinologistas e cirurgiões, para realizar cirurgias de redução de estômago na cidade.
As cirurgias serão realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e não custarão nada - em São Paulo, o custo varia de R$ 11 mil a R$ 15 mil. ‘‘Já temos mais três pacientes que já fizeram todos os exames e estão em condições de passar pela cirurgia’’, aponta Valezi. ‘‘Mas a fila deve ser ainda bem maior’’.

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