HU faz cirurgia de reconstrução do quadril
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segunda-feira, 28 de abril de 2008
Fernando Rocha Faro<br>Reportagem Local 
Uma paciente de 11 anos passará na manhã de hoje por uma complexa cirurgia de reconstrução do quadril. O procedimento será comandado pelo ortopedista pediátrico Alessandro Melanda. O grupo do Hospital Universitário (HU) é o único da Região Norte do Paraná e o segundo do Estado a promover este tipo de intervenção. A chance de cura da menina - que tem dores e dificuldades para caminhar - sem a presença de sequelas, de acordo com o profissional, é alto.
O problema de Jéssica é congênito. A mãe Lucélia Batista da Silva, 32 anos, conta que percebeu que a filha teria dificuldades para caminhar quando ela completou dois anos e meio. Apesar de receber acompanhamento da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) desde então, somente nos últimos três meses ela recebeu o encaminhamento adequado.
''Hoje se ela anda muito tempo já começa a sentir dor e eu tenho que carregá-la. Tenho bastante esperança que ela vai melhorar'', afirma a dona de casa, que mora em Jaboti (110 km ao sul de Jacarezinho). Atualmente, a deformidade no quadril faz com que a menina tenha a perna direita entre oito e dez centímetros menor do que a esquerda. O problema é que o fêmur não encaixa no quadril, que precisa ser reconstruído. Esta será a segunda cirurgia do gênero feita no HU.
Quando a deformidade, conhecida como displasia de desenvolvimento do quadril, é detectada precocemente pelo pediatra, o tratamento com o uso do equipamento ortopédico chamado Suspensório de Pavlik, que existe desde 1956, pode ser suficiente. Este método é eficiente em mais de 95% dos casos.
A dificuldade aumenta à medida que o diagnóstico é mais demorado. E de qualquer forma a cirurgia poderá garantir melhor qualidade de vida para a paciente. Uma consequência deverá ser a redução da dor e da dificuldade de andar. Se isso não ocorrer, pelo menos o quadril estará preparado para receber uma futura prótese.
A recuperação pós-cirúrgica dura cerca de seis meses. Inclui um período de 24 horas na UTI Pediátrica e, por 45 dias, o uso de um gesso do umbigo ao tornozelo. Nas etapas seguintes ela passará por sessões de fisioterapia e vai reaprender a andar. A intervenção vai reduzir a diferença de comprimento das pernas e possibilitar uma nova cirugia, mais simples, que poderá zerar essa diferença.
A displasia de desenvolvimento de quadril é mais comum do que se imagina. Dez por cento das crianças nascem com instabilidade no quadril, que pode progredir para luxação. E uma em mil nasce sem o encaixe adequado. Um inimigo do diagnóstico precoce é o caráter assintomático da doença. A única dica para os pais é tentar perceber diferença de tamanho comparando as ''preguinhas'' das pernas do bebê.
A cirurgia de Jéssica deve demorar de quatro a seis horas. O reposicionamento do fêmur no acetábulo (local de encaixe no quadril) é feito através de cortes nos ossos ilíaco, púbis e ísquio. Daí o complicado nome da cirurgia: Tríplice Osteotomia do Acetábulo.
''A cirurgia não é recente, mas é feita em poucos centros porque é muito complexa e exige uma especialização técnica muito grande da equipe'', comentou Melanda. ''Na verdade, a gente vai criar um quadril. Ela não tem e a gente vai criá-lo'', acrescentou.
Sem a cirurgia, que será feita pelo SUS, o panorama de futuro de Jéssica não seria nada animador. Ela continuaria com a dificuldade para andar, teria que conviver com a dor no quadril e na coluna lombar, e a doença poderia evoluir para artrose, que é um desgaste das articulações, e até perda da capacidade de andar, com dependência de muletas ou cadeira de rodas.


