Uma cirurgia comum na ortopedia, de reconstrução do ligamento do joelho, ganhou um novo aliado - um equipamento de tecnologia alemã que permite, para o cirurgião, maior precisão, e para o paciente, uma recuperação melhor, com menos dor. A primeira cirurgia no Paraná com o uso da técnica chamada navegação cirúrgica foi realizada ontem, no Hospital Universitário (HU) de Londrina.
O técnico de segurança do trabalho Antonio Maico Plehen, de 29 anos, e o mecânico Wellington Lombardi Gimenez, de 23 anos, são os primeiros a fazer a cirurgia usando o equipamento. Plehen passou pelo procedimento ontem, e a cirurgia de Gimenez está prevista para hoje. Os dois aguardavam há um ano pela cirurgia de reconstrução do ligamento cruzado anterior do joelho.
Segundo o professor doutor Carlos Eduardo Vaz, chefe da equipe e responsável pelo Grupo de Cirurgia do Joelho da disciplina de Ortopedia e Traumatologia do HU, o equipamento funciona como um aparelho de GPS (global positioning system), indicando ao cirurgião o local exato onde deve ser colocado o enxerto que vai substituir o ligamento rompido.
Sensores colocados no joelho do paciente transmitem sinais de infra-vermelho, que são captados por uma câmera e enviados a um computador na sala de cirurgia. Através desse sistema, o cirurgião tem a imagem espacial da anatomia do joelho, e as informações que o guiam para o posicionamento exato do enxerto. A vantagem, além da redução dos riscos de erro, é a realização de uma cirurgia mais rápida, com incisões mínimas, o que permite recuperação pós-operatória melhor, e melhor estética.
''É uma cirurgia que pode ser feita sem navegador, mas depende da experiência do cirurgião. É a mesma coisa que o GPS, você pode dirigir em uma cidade estranha sem ele, mas com ele, a precisão é muito maior''.
O procedimento ainda não é coberto pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas foi trazido ao HU através de um convênio com o fabricante. Só o equipamento, segundo o médico, tem custo de 200 mil dólares, e cada jogo de sensores, que são descartáveis, custa mil dólares. ''A empresa quer divulgar a técnica, e vamos utilizar o equipamento para atender dois pacientes por mês, sem custo'', explicou Vaz. A cirurgia também foi realizada no HU por ser hospital-escola, e o procedimento acompanhado por residentes e internos.
O rompimento do ligamento cruzado anterior, segundo o médico, é bastante comum principalmente nos chamados atletas de fim de semana. Isso acontece porque a pessoa não tem um preparo físico adequado, com uma boa musculatura e um bom alongamento para proteger o ligamento.
Mas mesmo nos atletas, que têm preparo físico, a lesão acontece. Foi o caso, por exemplo, do jogador Rodrigão, da seleção brasileira masculina de vôlei, que, na última semana, se contundiu ao se chocar com um companheiro de equipe, durante um jogo do seu clube, o Macerata, pela Copa da Itália. Na última segunda-feira ele passou por uma cirurgia para corrigir a lesão.
Esse ligamento é o que controla a rotação do joelho e dá estabilidade ao órgão. Com o rompimento, o joelho fica ''frouxo'', e a cirurgia é necessária porque o ligamento não se reconstitui sozinho. O ideal, segundo o médico, seria que a cirurgia fosse realizada no máximo de dois a três meses após a lesão, mas a fila pelo SUS é de pelo menos um ano.

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