HU faz campanha contra o cigarro
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segunda-feira, 31 de agosto de 2015
Aline Machado Parodi<br>Reportagem Local 
O Hospital Universitário (HU) começou um levantamento do número de funcionários, pacientes e visitantes que são fumantes. A pesquisa faz parte da campanha "Por uma UEL sem produtos derivados do tabaco" e marca o Dia Nacional de Combate ao Fumo, comemorado em 29 de agosto. Ontem, os alunos do curso de Enfermagem fizeram abordagem educativa, distribuição de material e coletaram dados sobre o universo de fumantes nas dependências do hospital.
Dos 467 funcionários do HU e do Ambulatório de Especialidades do Hospital Universitário (AEHU) que foram entrevistados ontem, 10% são fumantes.
"A literatura mostra que é preocupante o número de profissionais da saúde que fumam. Felizmente, a nossa realidade se mostrou diferente. Percebemos que a maioria das bitucas encontrada no pátio são de pacientes ou visitantes", disse a enfermeira Márcia Regina Pizzo de Castro, coordenadora da campanha.
Com os dados, Márcia explicou que serão montadas estratégias para combate ao tabagismo na instituição. "Estamos trabalhando em questões pontuais e esse trabalho está contribuindo com a redução do número de fumantes. Queremos, em pouco tempo, ter um ambiente livre de cigarro", enfatizou.
A iniciativa também tem como objetivo motivar as pessoas a parar de fumar. Desde 2006, o AEHU oferece tratamento para quem deseja abandonar o cigarro. São atendidas em média 60 pessoas por mês. Os pacientes são encaminhados pelas unidades básicas de saúde, Além de passarem por tratamento com medicamentos, eles participam de atividades em grupos que trabalham os fatores de riscos das recaídas, a importância da mudança de comportamento e do estilo de vida.
O percentual de adultos fumantes no Brasil vem caindo nas últimas décadas. Em 2008, segundo dados da Pesquisa Mundial de Saúde (PMS), 22,5% da população acima de 18 anos eram fumantes. Esse percentual caiu para 14,7% em 2013, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS). "Acredito que essa diminuição dos fumantes esteja relacionada à legislação e aos programas nacionais de controle ao tabaco e oferta de tratamento", comentou a enfermeira.
O pedreiro Luiz Carlos da Silva, de 55 anos, fumou por 38 anos e há três meses abandonou o cigarro. A decisão de parar de fumar foi por ordem médica. "Ele me disse que eu só tinha duas opções: parar ou parar. Não vou discutir com ele. Parei", contou. Ele está em tratamento para tuberculose e afirmou que não sente falta da nicotina. "Só sente muita fome", retrucou Solange Cristina Lemes da Silva, de 51, mulher dele. Ela ainda é fumante e não tem planos de deixar o vício. "Ainda não sinto vontade de parar. Fiquei dois anos e meio sem fumar. E de repente voltei", disse Solange.
A campanha do HU também lembra os riscos do consumo de narguilé e do cigarro eletrônico. O narguilé foi o tema central da campanha do Ministério da Saúde, com o slogan "Parece inofensivo, mas fumar narguilé é como fumar 100 cigarros".
Os riscos são os mesmos associados ao fumo e incluem as doenças cardiovasculares, respiratórias e alguns tipos de câncer. E como o cachimbo é socializado em grupo, o uso coletivo aumenta a exposição a doenças como herpes, hepatite C e tuberculose.


