HU fará transplantes para esclerose múltipla
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sábado, 28 de junho de 2003
Phoenix Finardi<br> Reportagem Local 
Uma boa notícia para os portadores de esclerose múltipla: a partir de 2005 o Centro de Referência da doença no Hospital Universitário de Londrina deve começar a fazer transplantes de medula. A técnica consiste num auto-transplante, ou seja, usa medula do próprio paciente e por isso não corre risco de rejeição. Através do transplante, de acordo com o neurologista Damácio Ramon Kaimen Maciel, é possível estacionar a doença em 80% dos casos.
Apesar de ser conhecido desde 1997, o transplante de medula só é feito em três Centros de Referência no país São Paulo, Ribeirão Preto e Curitiba. No centro de Ribeirão Preto, para onde Maciel viaja mensalmente a fim de observar a técnica, só foram feitos seis transplantes até agora. ''A taxa de mortalidade é pequena, cerca de 2%. O problema é que a esclerose não mata, por isso a recomendação do transplante para os pacientes ainda é reduzida, sendo aplicada somente em casos em que a doença não responde aos medicamentos'', explica o médico. Para o neurologista, o transplante é a melhor notícia até agora para os portadores da esclerose múltipla. ''Não digo que vai curar os doentes mas acredito que a gente consiga estacionar a doença'', afirma Maciel.
O neurologista, que é médico há 35 anos e um dos criadores do Centro de Referência do HU, retornou esta semana da Turquia onde foi indicado membro do Forum Mundial de Esclerose Múltipla, uma organização que existe desde 1993 e que reúne 50 autoridades mundiais no assunto. ''Este ano o Fórum decidiu admitir a participação de representantes da América Latina e Oceania. O Brasil tinha sete médicos inscritos. Foi feita uma seleção e nós conseguimos duas vagas'', conta Maciel. Além dele também foi aprovado o neurologista Dagoberto Calegaro, da Universidade de São Paulo (USP).
A escolha de Maciel também é mérito da UEL. ''Eles selecionam trabalhos e não pessoas. Eu fui escolhido por causa dos trabalhos de pesquisa que estamos fazendo na UEL'', informa Maciel. A universidade tem três projetos de pesquisa em andamento. ''Acabamos de descobrir que Londrina tem uma taxa de incidência da esclerose múltipla de 12,2 doentes por 100 mil habitantes. Isso indica que estamos dentro da média mundial, que vai de 7 a 30 casos para cada 100 mil habitantes'', aponta o médico.
O Centro de Referência de Esclerose Múltipla do HU existe há três anos e já avaliou quase 400 pacientes. Destes, 50% eram portadores da doença. Atualmente 214 pessoas estão em tratamento no Centro. No Brasil existem apenas 13 centros como esse e o Paraná só tem outro além de Londrina, que fica em Curitiba.


