HU estuda postura de obesos mórbidos
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terça-feira, 28 de setembro de 2004
Vanessa NavarroReportagem Local 
Quando se submeteu a uma cirurgia de redução de estômago, há um ano, a professora Sidneia Aparecida Frasson Budzinski, 52, se livrou de um peso muito maior do que a balança podia apontar. Para ela, que no auge da obesidade atingiu a marca dos 142 quilos, emagrecer significou recuperar a capacidade de se locomover.
''Já não andava mais pela cidade, não conseguia me locomover nem de uma loja a outra porque os joelhos e os tornozelos doíam muito. Passei a ficar em casa, fazendo só o estritamente necessário'', conta.
O relato de Sidneia descreve duas das consequências mais comuns da obesidade: os problemas nas articulações e na postura. Menos graves do que outras doenças associadas aos obesos como as cardiovasculares, diabete e hipertensão e por isso mesmo também menos difundidos, são incômodos que podem afetar seriamente a qualidade de vida.
Atualmente, esses problemas são objeto de estudo no Hospital Universitário (HU) de Londrina, cujo trabalho foi apresentado no Congresso Mundial de Cirurgia de Obesidade em Tóquio, na semana passada, pela fisioterapeuta e docente da UEL Shirley Aparecida Fabris de Souza. Em entrevista à Folha, Shirley relatou os primeiros resultados das pesquisas feitas no HU e ressaltou a importância de se corrigir a postura dos obesos mesmo após as cirurgias de redução de estômago.
''Fizemos um estudo comparativo com 59 voluntários, dividindo-os em dois grupos: não-obesos e obesos. Enquanto no primeiro apenas 10% dos indivíduos apresentaram problemas nos joelhos, no segundo esse índice subiu para 27%'', conta.
Entre os que sofriam de obesidade, também ficou constatado que 28% tinham problemas de coluna, principalmente lordose (alteração lombar) e cifose (desvio cervical). Quase 100% apresentaram desvio do eixo de gravidade, o que significa que eles projetavam o corpo para a frente para suportar o próprio peso. ''Também observamos que grande parte deles tinha a base de suporte alargada, ou seja, juntavam os joelhos e separavam os pés para ter mais equilíbrio'', salienta.
É comum, diz a fisioterapeuta, que o obeso não se dê conta das alterações posturais, apesar de sentir as dores decorrentes em partes do corpo como cabeça, ombros, quadris, joelhos, tornozelos e pés. ''Tiveram que falar para mim que eu estava andando encurvada, porque eu não enxergava, era um gesto automático'', conta®MDNM¯ Sidneia.
Para superar esses e outros problemas causados pela obesidade mórbida, Shirley afirma que a operação para reduzir o tamanho do estômago ainda é o melhor caminho. ''Se não perde peso, o paciente não consegue caminhar, fazer exercícios, porque sente muitas dores. Mas ele não pode achar que só a cirurgia é suficiente. É muito importante fazer um acompanhamento pós-operatório, com atividades físicas e correção de postura'', ressalta.
A fisioterapeuta explica que, depois da cirurgia, o paciente sente o alívio da perda de peso, mas ainda está acostumado à postura que tinha. ''É preciso, então, mudar a percepção corporal, para que a própria pessoa vá se corrigindo''. Algumas das atividades recomendadas são a caminhada, o alongamento e a hidroterapia.
Sidneia, que diz ter ficado décadas sem fazer qualquer exercício físico, se iniciou na hidroterapia seis meses depois da operação. Hoje, 52 quilos mais magra, aventura-se em atividades mais pesadas. ''Estou fazendo musculação. Já me disseram que minha postura melhorou bastante''.


