HU espera dois anos e reforma não vem
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sábado, 27 de fevereiro de 1999
Lúcio Horta 
Manhã do dia 3 de março de 1997. Segunda-feira. No anfiteatro do Hospital Universitário (HU), da Universidade Estadual de Londrina (UEL), funcionários, técnicos, professores, estudantes, sindicalistas, diretores, pacientes e representantes da comunidade lançam uma campanha pela reforma da estrutura física do hospital. O lema era: Vida HU! HU Viva! Os manifestantes promoveram um abraço simbólico no prédio do HU e milhares de adesivos com o slogan da campanha foram distribuídos na cidade. A população, que sente na pele o drama da saúde pública, se mobilizou pela causa.
A campanha pela reforma do HU, lançada exatamente dois anos atrás, na verdade foi apenas mais um capítulo de uma longa novela que se arrasta desde o início da década de 70 e até agora não chegou ao fim. Durante este tempo, não faltaram reclamações, denúncias, movimentos, ameaça de ação civil pública e promessas de todas as partes. Não é para menos: o prédio do HU tem mais de 50 anos e foi construído para abrigar um sanatório de doentes com tuberculose, nunca um hospital geral, como acabou se transformando.
Hoje, pouca coisa mudou da década de 70 - quando o sanatório virou um dos maiores hospitais públicos do Estado - para cá. O avanço foi apenas virtual: um grande projeto de reforma, que finalmente transformaria o HU em um hospital de verdade, com estrutura adequada e maior número de leitos. A verba para isso tudo - calculada em R$ 30,6 milhões - até foi prevista no orçamento geral do Estado, para 1996, mas nunca chegou a Londrina.
O resultado do abandono pode ser observado nas paredes rachadas do HU, constantemente recebendo amarrações para evitar imprevistos, ou nos corredores entupidos do pronto-socorro, onde doentes acomodados em macas e cadeiras de roda disputam espaço com funcionários, médicos, enfermeiros e estudantes de medicina. O abandono também afeta as redes elétricas, hidráulicas e de gases medicinais, que atendem a praticamente todo o prédio, estão defasadas e há anos necessitam de substituição. Em caso de princípio de incêndio - já alertou à Folha, em 1997, um diretor do hospital -, o resultado pode ser catastrófico: não há saídas de emergência no HU.
Para amenizar o caos e prevenir acidentes, a direção transformou o HU num canteiro de obras constante. Mas são reformas pequenas, pontuais, realizadas com recursos próprios, a maioria proveniente do repasse do Sistema Únido de Saúde (SUS) - de R$ 1,2 milhão a R$ 1,3 milhão anuais.
Também é com esse dinheiro - ou com a sobra, já que o HU gasta aproximadamente R$ 900 mil só com manutenção - que o hospital consegue se manter equipado, inclusive com tecnologia de ponta, como tomógrafo ou bisturi ultrassônico. Isso tudo porque o hospital não precisa arcar com a folha de pagamento, orçada em R$ 2,2 milhões a R$ 2,3 milhões anuais, e que é de responsabilidade do governo estadual.
Mas para desarmar a bomba-relógio - como o hospital foi definido pelo reitor da UEL, Jackson Proença Testa, na época do lançamento do Vida HU! HU Viva! -, só mesmo uma reforma de fato. Na última segunda-feira, Testa voltou a comentar o assunto. E anunciou que pretende novamente procurar o governador para pedir verbas para reforma do HU.
Mas desta vez a proposta é diferente: levando em conta a crise que atingiu o País, depois da desvalorização do câmbio, a idéia é que o Estado libere R$ 7 milhões para uma reforma menor, que não substitui nem impede a outra, de R$ 30 milhões. Haveria aumento de leitos e a possibilidade do HU assinar convênios para atendimento particular - ou seja, uma alternativa a mais de ganhar novas receitas.
O diretor-superintendente do HU, Cláudio Camacho, explicou que a reforma atingiria a ala central do setor de internação, que seria alargada e ganharia alguns pavimentos. Essa reforma poderia resolver, em parte, um dos maiores problemas existentes do HU, que é a falta de leitos, e desafogaria o pronto-socorro. Seria uma medida alternativa, para uma maior oferta de atendimento e com maior qualidade, diz Camacho.
Esta semana, reitor e superintendente devem voltar a falar com o governador, para levar a nova proposta de reforma do HU. Ambos se dizem otimistas.


