Londrina – Enquanto o setor 3 de unidade de terapia intensiva do Hospital Universitário (HU) de Londrina está sem funcionar, apesar das obras terem sido concluídas há dois anos, nove pacientes aguardavam vagas na UTI na tarde de ontem.
A UTI 3 ainda não está funcionando por falta de médicos. Por isso, a direção da unidade ocupou o espaço com os pacientes da UTI 2, que está fechada para passar por reforma. A obra, no entanto, ainda não começou por falta de liberação da Vigilância Sanitária, entre outros entraves burocráticos.
A medida, no entanto, não soluciona a falta de vagas. Esse problema levou o Ministério Público a cobrar a da direção do hospital a contratação de mais médicos para aumentar a capacidade de atendimento nas UTIs.
Para o secretário-geral do Sindicato dos Servidores Públicos Técnicos Administrativos da Universidade Estadual de Londrina (Assuel), Adão Brasilino, o cenário é "preocupante porque muitas pessoas estão morrendo à espera de uma vaga na UTI". Ele aponta que o fechamento dessa unidade por falta de funcionários não é o único problema. "Há uma defasagem de 160 servidores no HU e nós fazemos essa denúncia há quatro anos", destacou. "Eles simplesmente transferiram a equipe da 2 para a 3, mas a necessidade de contratação de equipe continua."
A superintendente do HU, Elizabeth Ursi, alega que o número de vagas passou de 17 para 20 com a mudança. Ela acrescenta que o investimento na reforma é uma necessidade. "Não adianta fazer reforma pequena, uma maquiagem. Temos que investir um pouco mais para que a estrutura permaneça em condição adequada por mais 10 ou 15 anos. Vamos trocar o sistema de gás, o elétrico e o hidráulico. Vamos atualizar o projeto arquitetônico do prédio para adequar aos equipamentos. A estrutura elétrica atual não tem suportado isso", apontou.
Elizabeth espera que já tenha contratado o quadro de funcionários necessário para manter as três UTIs ativas depois de concluída a reforma, o que vai totalizar 27 vagas. "Até lá temos a perspectiva de que os candidatos aprovados em concurso e que ainda não foram nomeados tenham condições de assumir."
Segundo a superintendente, atualmente o HU de Londrina possui 280 vagas em aberto, algumas delas são de 2010. "São quase cinco anos de vagas que não foram preenchidas. Temos vagas para 75 técnicos de enfermagem, 35 enfermeiros e 18 médicos", apontou. Ela ressalta que a maior dificuldade está na contratação de médicos e de técnicos de enfermagem para completar a escala.
Um dos maiores problemas é a defasagem do valor pago pelo serviço público em relação à iniciativa privada. "Eu não tenho o poder de corrigir isso. Quem determina os salários iniciais é a Secretaria de Estado de Saúde (Sesa)", apontou. Para comparar, o último salário oferecido pelo HU para a contratação de um médico intensivista foi de R$ 4.039 por 20 horas de trabalho, com adicional de 50% no caso de horas extras. O valor de referência da Federação Nacional dos Médicos, divulgado em 23 de janeiro deste ano, é de R$ 11.675,94 pela mesma carga horária.
Elizabeth Ursi expôs que a reforma das unidades 1 e 2 será realizada com recursos próprios com valores estimados em quase R$ 1 milhão. O processo licitatório da readequação das unidades deve demorar 45 dias, que devem ser somados ao tempo que a Vigilância Sanitária levará para liberar a execução do projeto. "Depois disso a reforma deve durar sete meses", projetou a superintendente.
A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) informou que o projeto da reforma deve ser submetido à Vigilância Sanitária e analisado tecnicamente pela pasta.

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