HU enfrenta dia de caos. PS é fechado
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sexta-feira, 04 de agosto de 2000
Carolina Avansini De Londrina Especial para a Folha 
O Hospital Universitário de Londrina (HU) enfrentou ontem um dia de caos. A superlotação dos leitos obrigou o fechamento do pronto-socorro, por volta das 11 horas. No início da tarde, havia 78 pessoas internadas na unidade, que tem capacidade para 36 acomodações.
Pacientes em estado grave aguardavam a liberação de vagas em macas e cadeiras colocadas nos corredores do hospital. Cinco deles apresentavam quadro crítico e esperavam transferência para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Os 17 lugares disponíveis no setor também estavam tomados, obrigando os funcionários a improvisarem atendimentos de emergência em locais sem estrutura adequada.
Nunca vi situação tão triste. Parecia uma guerra, estou com a alma carregada, desabafou o médico Edvaldo Macedo de Britto, que fez plantão na madrugada de ontem.
A declaração do médico confirmou a apreensão da dona-de-casa Geni Martins de Souza, que acompanhava a irmã Luciana Martins de Souza, 21 anos, internada desde terça-feira. Ela chegou aqui com pneumonia, teve uma parada respiratória e agora respira com ajuda de aparelhos. Estamos esperando desocupar uma vaga na UTI, mas está difícil, disse.
A administração do HU está orientando os pacientes a procurarem atendimento em outros hospitais. Nós não temos mais condições de continuar trabalhando assim, reclamou Sylvio Villari Filho, diretor clínico da HU.
A maior preocupação do médico diz respeito às condições precárias no atendimento de emergências. Ele explicou que a equipe de enfermagem do pronto socorro não é especializada, como o pessoal da UTI, mas está tendo que se virar para satisfazer a demanda. Essa situação coloca pacientes e funcionários em risco, disse.
Villari espera contar com a compreensão dos outros hospitais para aliviar a situação. Estamos pedindo para as outras instituições receberem nossos pacientes. Também não temos condições de acomodar doentes de outras cidades, afirmou.
No Hospital da Zona Sul, a situação também é crítica. Reformas acrescentaram oito leitos aos 33 existentes, mas eles continuam desocupados por falta de funcionários para o atendimento. Representantes da Comissão de Acompanhamento do Hospital da Zona Sul, ligada ao Conselho de Sa© úde da Região (Consul), se reuniram ontem com a diretoria do hospital para cobrar providências.
Eles disseram que já solicitaram funcionários ao Conselho Intermunicipal do Médio Paranapanema (Cismepar), mas ainda não obtiveram respostas. A população deve se organizar e cobrar soluções para essa questão, observou Livaldo Bento, coordenador da Comissão.


