HU é autorizada a transplantar fígado
Alexandre Sanches
De Londrina
O Hospital Universitário (HU) de Londrina está autorizado pelo Ministério da Saúde a realizar transplante de fígado, cirurgia inédita no interior do Estado. A autorização foi feita pela portaria nº 742 de 9 de dezembro de 1999, mas somente ontem anunciada pelo HU.
Segundo o responsável técnico para o transplante em Londrina, o cirurgião geral Ascêncio Garcia Lopes Júnior, este procedimento é um dos mais avançados na medicina, envolvendo tecnologia e treinamentos muito especializado. Tivemos que nos adequar às necessidades do Ministério da Saúde, tanto em equipamentos quanto em treinamentos da equipe cirúrgica. Este é um procedimento de grande monta para o hospital e representa um avanço científico importante, comentou.
Para Ascêncio Júnior, a autorização também representa um avanço nas doações de órgãos que, anteriormente, não podiam ser realizadas porque havia a necessidade de levar para outros centros. Os pacientes da região de Londrina, que não tinham condições de ir a outros centros, morriam em Londrina, salientou. O maior problema é que o fígado só pode ser transplantado no máximo até 12 horas após ser retirado do doador, que só pode ter apresentado a morte encefálica.
O pulmão e o coração do doador tem que estar funcionando, mesmo que seja através de aparelhos, pois o fígado necessita de oxigenação. Após ser retirado, ele fica numa solução que conserva o órgão até que seja transplantado dentro do prazo específico. Passou disso, ele se degenera, explicou. A cirurgia de transplante chega a demorar de 12 a 16 horas, dependendo do caso.
Outra portaria, também assinada no mesmo dia, habilita a equipe médica do HU que irá realizar as cirurgias. A equipe é composta por seis cirurgiões, mais três anestesistas e todo o pessoal de suporte. Todos foram obrigados a passar por treinamentos específicos, afirmou. Os treinamentos foram realizados em São Paulo e em Londrina.
Para os acadêmicos do curso de medicina e residentes do HU esta também será uma ótima oportunidade para aprenderem novas técnicas cirúrgicas e, principalmente, particularidades na recuperação de pacientes que não existem em outros procedimentos. Por causa da droga que toma para evitar a rejeição do fígado, o paciente necessita de uma recuperação toda especial, com o máximo de zelo. Muitos ficam pior que um doente soropositivo. E isso é uma experiência nova para os alunos.
No Paraná, há 80 pacientes aguardando um transplante de fígado. Em Londrina, o médico Ascêncio Garcia Lopes Júnior não soube precisar quantas pessoas necessitam do transplante. Mas informou que há quatro casos emergenciais na fila de espera. Ele anunciou que nas próximas semanas pretende realizar o primeiro transplante. Mas para este procedimento necessitamos de doadores, salientou.





