HU deixa de receber R$ 1 milhão com a greve
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terça-feira, 05 de fevereiro de 2002
Luciano Augusto Reportagem Local 
A greve dos servidores do Hospital Universitário (HU), em Londrina, já provocou ao hospital uma perda temporária de receita de, pelo menos, R$ 1,140 milhão. O valor corresponde aos repasses do Fundo de Incentivo para Desenvolvimento, Ensino e Pesquisa em Saúde (Fideps), que foram suspensos nos meses de novembro e dezembro do ano passado e janeiro desse ano.
A situação é preocupante, pois além de estar suspenso o repasse mensal de cerca de R$ 380 mil do Fideps, o HU também viu está recebendo menos recursos do Sistema Únido de Saúde (SUS), por causa do número reduzido de atendimentos que vem prestando desde o início da greve, que hoje completa 142 dias.
Para ter direito ao repasse, os hospitais-escola precisam cumprir metas determinadas previamente, como oferecer consultas especializadas e manter leitos de internação com pacientes cobertos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Em busca de uma solução para o problema, foi agendada para hoje à noite uma reunião extraordinária do Conselho Municipal de Saúde. Além desse tema, os conselheiros também discutirão a possibilidade de o fundo municipal de saúde dar apoio financeiro ao Instituto do Câncer de Londrina (ICL), para a realização do serviço de cobalterapia.
O secretário municipal de Saúde e presidente do Conselho, Silvio Fernandes, antecipou que os conselheiros discutirão uma forma de o hospital reverter a suspensão do repasse do Fideps. O hospital corre o risco de não ter o repasse integral no período de greve, afirmou o secretário.
O fundo, como explicou ontem o diretor superintendente do HU, Cláudio Camacho, é repassado a todos os hospitais-escola para cobrir os custos em atividades de ensino e pesquisa. Ele afirmou que esses hospitais têm um custo 30% maior que os hospitais comuns. Essa suspensão prejudica bastante, porque é um recurso importante para o HU, frisou Camacho.
Enquanto não termina a paralisação dos servidores, o hospital vai lentamente retomando suas atividades. Até às 15h30 de ontem, segundo Camacho, a taxa de ocupação estava em 64% na semana passada girou em torno de 58%. O diretor disse ainda que cerca de 70% dos servidores já haviam voltado ao trabalho no HU até sexta-feira.
Camacho rebateu as críticas do sindicato dos servidores da saúde de que a direção do HU estaria pressionando os grevistas a retomarem suas atividades e assinarem a folha-ponto. Não há nenhuma pressão. O que temos feito é solicitar aos funcionários que compareçam ao trabalho, assegurou. Ele reforçou que a população deve continuar evitando procurar o HU, pois o atendimento ainda não está normalizado.
Em relação ao Hospital de Clínicas (HC), Camacho adiantou que a reabertura deve acontecer entre quinta e sexta-feira dessa semana. Alguns funcionários estão terminando o trabalho de limpeza do prédio e checagem dos equipamentos.


