Marcos Zanatta
De Maringá
A diretoria do Hospital Universitário de Maringá (HU) convocou mais uma vez os políticos da região para garantir a manutenção do atendimento a pacientes do SUS. O hospital está acumulando uma dívida mensal entre R$ 40 mil e R$ 50 mil e trabalhando com um déficit de 100 funcionários. ‘‘Se não recebermos socorro até o início do ano, o risco de colapso será grande’’, prevê a diretora administrativa do HU de Maringá, Ângela Maria Pierami. Ela disse ontem à Folha que além dos políticos, toda a sociedade, através de entidades e da recém-formada Associação dos Amigos do HU, está mobilizada.
O que vem agravando a situação do atendimento do hospital é a crise financeira, que acaba empurrando mais pacientes para a rede pública. Hoje, o HU está atendendo uma média de 10 mil pacientes por mês, boa parte em estado grave.
Ângela diz que 30% das pessoas atendidas no HU são da região, que engloba mais de 40 municípios. Como o hospital não pode contratar – os cargos são preenchidos por concurso promovido pelo Estado – os funcionários são obrigados a trabalhar em turno dobrado. ‘‘Boa parte dos pacientes em estado grave é atendida em locais improvisados, à espera de leitos, e temos que ter pessoal para garantir a assistência’’, explica Ângela.
A preocupação com os próximos meses, segundo ela, é que o HU não está encontrando condições de cumprir a contrapartida do Reforsus. O hospital deveria estar viabilizando a ampliação do número de leitos para receber os equipamentos do convênio. ‘‘Mas o dinheiro que recebemos é suficiente apenas para manter os serviços e comprar medicamentos’’, justifica Ângela. O hospital quer acabar com o atendimento improvisado em enfermarias e corredores. ‘‘O que já seria um grande avanço no sentido de dar mais conforto aos pacientes e às famílias’’, ressalta.
A mesma situação enfrenta a Santa Casa de Maringá, que acumula um prejuízo mensal em torno de R$ 100 mil, causado pela diferença entre o custo do atendimento e o valor repassado pelo SUS. A direção do hospital ameaçou suspender o atendimento em janeiro caso não receba ajuda financeira, mas promete ampliar de 38 para 50 o número de leitos para o SUS se vier o socorro. ‘‘O aumento do número de leitos é uma demonstração de boa vontade da Santa Casa. Estamos confiando no empenho dos órgãos em viabilizar recursos’’, diz o diretor-superintendente do hospital, Rogê Jorge Costa.
Além de pacientes do SUS, a Santa Casa ameaça suspender também o trabalho com vítimas de acidentes de trânsito. Hoje o hospital, junto com o Santa Rita, faz o plantão do dia durante a semana, e o HU das 19 às 7 horas, finais de semana e feriados. Costa argumenta que a maior parte das vítimas de acidentes chega em estado grave, necessitando de UTI.
O problema, segundo ele, é que o seguro obrigatório cobre apenas R$ 1.524,00 por paciente, enquanto o custo é sempre bem mais alto. ‘‘Só no último bimestre o setor de UTIs acumulou um prejuízo de quase R$ 200 mil’’, revela.

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