"Gosto muito quando vejo a reação das crianças quando a gente dá um brinquedo ou faz alguma atividade", conta Hilda Cavazzani
"Gosto muito quando vejo a reação das crianças quando a gente dá um brinquedo ou faz alguma atividade", conta Hilda Cavazzani | Foto: Gina Mardones



"Os trabalhos dos voluntários ajudam no acolhimento (internação) e no desenvolvimento das ações humanizadoras. Essas ações acabam por auxiliar na recuperação dos pacientes, porque o hospital muitas vezes se torna um ambiente estressante, causando sofrimento e as atividades realizadas pelos voluntários buscam trazer alegria, entretenimento e conforto". A afirmação é da assistente social do HU (Hospital Universitário) de Londrina, Eliana Rodrigues. A instituição conta com 35 participantes e em breve será beneficiado com outras 44 pessoas, que passaram por uma capacitação.

No HU, o projeto com voluntários acontece desde 1979 e para se tornar um contribuinte do bem é preciso passar por uma capacitação. Nos dias 7 a 10 de outubro uma equipe da assistência social da instituição se encarregou de passar orientações gerais (funcionamento a atuação dos voluntários e critérios para poder participar, entre outros itens) aos futuros voluntários.

De acordo com a assistente social, em novembro esses novos voluntários começarão a atuar no HU e no ambulatório de Especialidades do hospital, contribuindo para ampliação das atividades e até implantar outras ações, que são mais realizadas devido ao baixo número de colaboradores. Entre os projetos desenvolvidos na instituição estão Leitura no hospital, Humanizar, Alto astral, Artesanato e Semeando. Também há comissões de trabalho para a realização de campanhas publicitárias, atendimento direto ao paciente e acompanhantes, organização de eventos, programa Nota Paraná, musicoterapia, arrecadação de recursos, contação de histórias, acolhimentos, recreação, orientações, cuidados básicos e cuidados solidários.

ENRIQUECIMENTO
Maria de Jesus Santos Roedel, 89, atua como voluntária desde o início da implantação do projeto no HU e fala com convicção dos benefícios. "Esse trabalho nos enriquece espiritualmente. A gente ajuda com tão pouco, mas as pessoas que recebem ficam felizes", afirma.

Para os que perguntam o que ela ganha fazendo esse trabalho, já que não gera resultado financeiro, a voluntária responde citando Zilda Arns - médica pediatra, sanitarista e criadora da Pastoral da Criança. "Ela dizia que ser voluntário não é só dar o remédio ao paciente e ir embora. Ser voluntário é atender, dar carinho, esperança e eu concordo com isso", afirma.

Roedel não comparece ao HU com tanta frequência do início, mas ela ainda confecciona artesanato (toalhas e pano de prato bordados), auxiliando com esse trabalho na manutenção da Associação dos Voluntários do hospital.

"As crianças precisam muito de nós voluntários para ficar e cuidar delas. Gosto muito quando vejo a reação delas quando a gente dá um brinquedo ou faz alguma atividade como pintura e leitura, isso faz com eles fiquem mais animados", conta a voluntária e responsável pela distribuição e higienização dos brinquedos e itens para pintura, Hilda Cavazzani, 53, que atua há três anos no HU.

Na brinquedoteca, a moradora de Santana do Itararé (Norte Pioneiro), Maria Verônica da Silva, 29, acompanhava o filho Vinícius David Gonçalvez Nunes, 7, internado para ser submetido a uma cirurgia. Ela ressalta a importância das atividades desenvolvidas fora do quarto de internamento "É importante para ele, porque ajuda na recuperação. Depois que ele começou a vir aqui (brinquedoteca), está mais animado e quer vir toda hora", conta.

O pequeno Vinícius confirma que gosta de brincar com carrinhos e também de ler, enquanto folheava vários gibis.

O trabalho de voluntariado não gera vínculo empregatício, nem obrigação de natureza trabalhista, previdenciária ou afins. A carga horária é de, no mínimo, 4 horas semanais e no máximo 12 horas semanais.

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