Cascavel A trabalhadora sem-terra Valquíria Silva Fernandes, 20 anos, resolveu ser doadora do Banco de Leite do Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP), depois que soube dos benefícios da amamentação. Ela faz parte do grupo de doadoras do banco, que em um ano quadruplicou o volume de cadastros. Em 2003, para se ter uma idéia, o número de mulheres cadastradas era de 70 e hoje chega a 271. Estes números são um dos resultados de um trabalho realizado pelo Banco de Leite e por uma equipe multidisciciplinar do hospital, ligado à Universidade Estadual do Oeste (Unioeste), de Cascavel.
É em decorrência desta ação que o HUOP recebeu anteontem o certificado ''Iniciativa Hospital Amigo da Criança'', conferido pelo Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef) e pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Para receber a certificação, o HUOP passou por uma criteriosa avaliação feita pela Secretaria Executiva e Área Técnica da Saúde da Criança, em abril deste ano.
Na avaliação, os técnicos observaram que o banco está conseguindo levar informação, estabelecer uma rede de coleta e atender os critérios do Ministério da Saúde. Assinado pela coordenadora técnica para aleitamento materno do Ministério da Saúde, Alexia Luciana Ferreira, o certificado foi emitido porque mesmo pequeno e com poucos recursos, o Banco de Leite conseguiu, por meio de um programa de conscientização de base, criar uma rede de doação e coleta que supera mitos e dificuldades, mostrando que as mulheres estão mais conscientes da importância da doação.
No HUOP, a equipe é composta por enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, nutricionistas, fisioterapeutas e médicos, que participam de reuniões frequentes e estabelecem uma rede de multiplicadores e informações.
Atualmente, o banco atende mais de 100 crianças internadas no HUOP e em hospitais da região, sem contar os bebês doentes, filhos de mães portadoras de patologias. A média de coleta chega a 200 litros ao mês. Valquíria, por exemplo, conheceu o programa no acampamento onde mora (a 20 quilômetros de Cascavel), um dos locais em que a equipe do Banco de Leite Materno realiza um trabalho de base, mostrando para as mulheres que a amamentação evita a mortalidade infantil e faz bem à saúde da mãe.
Na época, Valquíria estava grávida de sua primeira filha, Leila Eduarda, que nasceu há um mês com insuficiência cardíaca e respiratória. A menina ficou internada por 30 dias e durante este período recebeu leite materno por sonda. ''Graças ao trabalho de conscientização minha filha recebeu o leite e melhorou. Hoje sou uma das doadoras do banco.''
A coordenadora do Banco de Leite, a enfermeira Maria José dos Santos Teski, atribui o resultado positivo a um trabalho coletivo e multidisciplinar realizado em toda a região. ''Apesar de termos bons resultados ainda falta muito, principalmente um trabalho preventivo juntos ao pré-natal, especialmente feito pela rede estatal ''.
Atendimento Cada criança recebe o volume prescrito pelo profissional de saúde. A enfermeira Graziela Barreto, de 26 anos, que trabalha na UTI Neonatal do HU, onde há 10 leitos, explica que sem o leite materno as chances de sobrevivência e recuperação do bebê seriam bem menores.
Muitas mães amamentam os seus filhos internados durante o dia, mas à noite o socorro vem do Banco de Leite. ''Um bebê prematuro ou doente não tem como receber outro tipo de alimento. O banco de leite é fundamental para a UTI'', diz a enfermeira.
O banco tem um setor de controle de qualidade coordenado por um bioquímico, que examina criteriosamente o leite doado, que depois é pasteurizado e armazenado num freezer por um período de até seis meses. Para manter o serviço, o HUOP necessita também da colaboração da comunidade, que doa vidros com tampas plásticas de 250 e 500 ml.

Serviço - Quem quiser colaboar doando leite ou recipientes pode ligar para (45) 3226-0808, ramal 2293.

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