Osmani Costa
De Londrina
O Hospital Universitário (HU) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) é o primeiro no Estado a instituir uma Comissão de Ressuscitação Cardiorrespiratória do Paraná (CRCP). O trabalho começou ontem sob a presidência do cardiologista-clínico Manoel Fernandes Canesin.
Os principais objetivos da comissão serão implementar medidas que contribuam para recuperar os pacientes do HU que sofreram ataque cardíaco (parada cardiorrespiratória súbita) e viabilizar cursos e treinamentos de leigos que possam ajudar no socorro de vítimas cardíacas foram do hospital.
Canesin explica que comissões como esta são comuns em hospitais dos Estados Unidos e da Europa há cerca de dez anos. No Brasil, elas são novidade. Por enquanto, apenas o Instituto do Coração (Incor) e o Hospital Albert Einstein de São Paulo, além de poucos outros no Rio de Janeiro e Brasília contam com esta equipe que levanta, analisa e monitora os eventos e fatores determinantes da parada cardiorrespiratória.
No Brasil, não há dados precisos, mas nos Estados Unidos morrem a cada ano cerca de 250 mil pessoas em consequência de ataques cardíacos. O problema é tão grave que levou as autoridades sanitárias a investirem no treinamento da população para os primeiros socorros às vítimas. Os resultados são considerados ótimos, em cidades como Seatle. O número de mortes foi reduzido drasticamente, alcançando-se índices de sobrevivência entre 50 e 60% das pessoas que sofreram o ataque cardíaco.
Em Londrina, segundo Manoel Canesin, o número de sobreviventes que sofrem à parada cardiorrespiratória fora dos hospitais não passa de 2%. ‘‘Este índice pode e deve ser melhorado com um programa de participação e treinamento da comunidade na realização correta das manobras de ressuscitação cardiopulmonar’’, comenta o presidente da comissão.
A CRCP do Hospital Universitário é composta por uma enfermeira, uma fisioterapeuta e outros três médicos, além de Manoel Canesin. Ele ressalta que as manobras de socorro à vítima só obtêm sucesso quando são iniciadas no máximo depois de 3 minutos da parada cardiorrespiratória. ‘‘Por isto, é muito importante que leigos e paramédicos estejam bem treinados para realizá-las nos locais de maior concentração popular, como nos estádios de futebol, shoppings e parques’’, diz o médico, lembrando que as pessoas devem estar aptas a manipular o desfibrilador semi-automático, que através de choques elétricos ‘ressuscita’ o coração que parou de bombear sangue subitamente. ‘‘Nossa comissão vem para vencer o desafio de padronizar e melhorar o atendimento dentro do HU e preparar a comunidade para enfrentar este grave problema. A luta é para aumentar as chances de vida da vítima da parada cardiorrespiratória.’’
-Em Londrina o número de sobreviventes que sofrem à parada cardiorrespiratória fora dos hospitais não passa de 2%
-Manobras de socorro à vítima só obtêm sucesso quando iniciadas no máximo após 3 minutos da parada cardiorrespiratória

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