O Hospital Universitário (HU) de Londrina concluiu ontem a sindicância interna aberta para apurar a morte do ex-andarilho Ademir Pontes, 43 anos, que morreu no dia 9 de junho durante uma cirurgia no abdômen. Na época, o Ministério Público (MP) levantou a suspeita de negligência no atendimento ao paciente por parte do Hospital da Zona Norte (HZN), onde o paciente recebeu os primeiros atendimentos antes de ser encaminhado ao HU. As investigações do MP ainda não estão concluídas.
Segundo o superintendente do HU, Claudio Camacho, a sindicância do hospital apurou que Pontes era portador de megacolon, um tipo de doença que dilata o intestino, estava com parte dele retorcida e perfurada, infecção generalizada e translocação bacteriana (presença de bactérias no sangue). ''Mas não podemos afirmar se ele morreu por causa da demora no atendimento, feito inicialmente pelo HZN. Cada caso é diferente. Algumas pessoas resistem mais, outras não'', afirmou o médico.
Mas Camacho admite que para o diagnóstico que o ex-andarilho apresentava quanto mais rápido o atendimento, mais chances havia de salvá-lo. Nos próximos dias o HU vai encaminhar o resultado da sindicância ao Ministério Público.
O promotor Paulo Tavares, da Promotoria Especial de Defesa da Saúde Pública, disse ontem que os médicos e diretores do HZN já foram ouvidos e nos próximos dias serão ouvidos os médicos e funcionários do HU que atenderam Pontes. Também já foram ouvidos pelo promotor a assistente social Maria Lucas de Lima, que trabalha na Casa do Bom Samaritano e o interno da casa José César Fonseca, que acompanhou o andarilho durante os primeiros atendimentos no HZN. O promotor acredita que as investigações devem ser concluídas até o final de setembro.
Pontes morava na Casa do Bom Samaritano, tinha deficiência mental e foi hospitalizado no dia 2 de junho com fortes dores na barriga. Ele foi liberado pelo HZN no mesmo dia, apesar de continuar com os mesmos sintomas. Pontes voltou novamente ao hospital onde foi diagnosticado que seu estado era grave e havia necessidade de cirurgia urgente. Ele permaneceu cinco dias aguardando uma vaga pela Central de Leitos. A promotoria já recebeu da central os registros de pedidos de vagas durante os dias em que o ex-andarilho permaneceu hospitalizado.
No atesto de óbito de Pontes consta que a causa da morte dele foi choque séptico, perfuração intestinal e peritonite. A cirurgia de Pontes durou cerca de quatro horas. Ele teve duas paradas cardíacas durante o procedimento médico.

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