HU conclui investigação sobre cirurgia
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 04 de outubro de 2002
Fábio Galão<br> Reportagem Local 
A Comissão de Ética do Hospital Universitário (HU) concluiu na quinta-feira os trabalhos de investigação em torno do caso do funcionário público José Carlos Fortunato de Paula, 32 anos, que no dia 21 de março se submeteu a uma operação de enxerto no ouvido esquerdo no HU e em seguida entrou em coma por 20 dias. Quando voltou à consciência, estava num estado delicado: não conseguia andar nem se manter em pé, tinha tremores constantes, demonstrava perda de memória e dificuldades para falar e escrever.
A assessoria de imprensa do HU informou que os resultados da investigação foram encaminhados à direção clínica do Hospital e só serão divulgados a partir da próxima semana. Paralelamente, ontem à tarde, o promotor de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais, Paulo Tavares, enviaria novamente ofício às diretorias do HU e do Hospital das Clínicas (HC) requerendo o prontuário médico de Fortunato e a relação dos profissionais que atenderam o funcionário público.
Um primeiro ofício havia sido enviado há dez dias, mas a promotoria não obteve resposta. ''Não podemos seguir com o processo nem com as investigações sem esses documentos em mãos. Ele vai determinar os procedimentos posteriores, como a convocação dos médicos envolvidos para esclarecimentos e a designação de um especialista para analisar o prontuário'', afirmou Tavares. A assessoria de imprensa do HU informou que os documentos não foram enviados porque alguns deles estão sendo usados pela comissão de ética.
''Se as investigações concluírem que houve erro médico, será ajuizada ação civil por negligência ou imperícia, cabendo indenização'', explicou o promotor. No dia 19 de setembro, Fortunato e sua mãe, Lindalva Carvalho de Paula, 62 anos, prestaram depoimento a Tavares, que instaurou processo administrativo para apurar responsabilidades.
Fortunato é solteiro e mora com Lindalva e três irmãos no Conjunto Aquiles Stenghel (zona norte). ''Não estamos passando por tanta necessidade, porque meu filho ainda recebe salário dos dois lugares onde trabalhava (uma lanchonete e o Restaurante Universitário, da Universidade Estadual de Londrina). O que dói é ver o José Carlos nesse estado. Sabe, quando ele saiu pra operação, ele estava andando. No hospital, na época do coma, eu não reconhecia o meu filho. Exigimos uma indenização e uma solução urgente'', afirmou Lindalva.


